Países europeus fazem alerta a cidadãos trans que forem viajar aos EUA
Comunicados seguem endurecimento de medidas e decreto determinando que 'existem apenas dois sexos biológicos, masculino e feminino'

Após as restrições feitas pelo governo de Donald Trump a documentos de viagem, exigindo que passaportes americanos reflitam o sexo atribuído ao nascimento, assim como medidas contra a presença de pessoas transsexuais no Exército e nos esportes, diversos países europeus lançaram alertas sobre possíveis complicações para viajantes trans e não binários que forem viajar aos Estados Unidos.
Nações como Alemanha, Finlândia e Portugal agora recomendam que seus cidadãos busquem informações junto às embaixadas antes de viajarem. Em janeiro, Trump assinou um decreto determinando que “existem apenas dois sexos biológicos, masculino e feminino”.
Países reforçam alerta sobre entrada de pessoas trans nos EUA
A Finlândia, considerada o país mais feliz do mundo pelo oitavo ano consecutivo, alertou que viajantes cujo gênero no passaporte não corresponda ao sexo atribuído ao nascimento podem ter entrada nos EUA negada. A Alemanha também adotou postura semelhante, recomendando que cidadãos com marcador de gênero “X” consultem a embaixada americana antes de viajar.
Em janeiro, a tatuadora alemã Jessica Brösche tentou entrar nos EUA após viajar pelo México, mas foi detida na fronteira americana e mantida sob custódia por várias semanas antes de ser deportada. O caso ganhou repercussão na Alemanha, onde Friedrich Merz, cotado para ser o próximo chanceler, declarou que a Europa precisa “declarar independência” dos Estados Unidos.
A Dinamarca, que já possui atritos com Trump devido a declarações sobre a Groenlândia, emitiu um comunicado advertindo que cidadãos dinamarqueses com identificação de gênero não convencional podem enfrentar dificuldades ao ingressar nos Estados Unidos.
Na Irlanda, o governo aconselha que qualquer viajante com documentação que não corresponda ao sexo designado ao nascer entre em contato com as autoridades diplomáticas americanas antes da viagem. Já Portugal reforçou que a posse de um visto ou autorização eletrônica de viagem não garante entrada nos EUA, já que a decisão final cabe aos agentes de fronteira, que podem impedir a entrada de cidadãos trans ou não binários.
Enquanto países reforçam seus alertas, a política do governo Trump continua a moldar a percepção internacional dos Estados Unidos. Para pessoas trans e não binárias, o “sonho americano” parece cada vez mais incerto.