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ONU e EUA cobram governo do Sudão do Sul a pôr fim a conflitos étnicos

Ataque matou dois membros das forças da ONU na sexta-feira, além de dezenas de civis

Por Da Redação - 21 Dec 2013, 09h12

Frente ao aumento da violência no Sudão do Sul, onde dezenas de civis e dois capacetes azuis indianos morreram na sexta-feira, a ONU e os Estados Unidos fizeram um apelo em favor do diálogo. Em uma declaração unânime, mas não vinculativa, o Conselho de Segurança das Nações Unidas instou o presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente Riek Machar, cuja rivalidade provocou uma onda de violência étnica no país, “a lançarem um pedido pelo fim das hostilidades”.

O secretário de Estado americano John Kerry também apelou para o diálogo. “É tempo dos líderes do Sudão do Sul controlarem os grupos armados, acabarem imediatamente com os ataques contra os civis e darem um fim à engrenagem da violência entre os diferentes grupos étnicos e político”, indicou Kerry.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também instou “o governo e as forças da oposição a respeitarem os diretos dos civis e garantirem sua segurança”.

Em resposta, Salva Kiir declarou estar pronto para dialogar com Riek Machar “sem pré-condições”, a fim de acabar com a violência armada que atinge o país.

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O ministro etíope das Relações Exteriores, Tedros Adhanom, que lidera uma delegação de mediação africana de cinco Estados, declarou, após encontrar na sexta-feira os dois rivais, que as discussões foram “muito produtivas”. No terreno, tiros esporádicos foram ouvidos durante a noite, segundo habitantes de Juba, a capital do jovem Estado, independente desde 2011.

Ministros da Etiópia, Quênia, Uganda, Jibuti e Sudão também viajaram a Juba em uma missão para tentar deter os confrontos. A delegação prevê reuniões com o presidente Kiir e várias personalidades políticas detidas após os episódios de violência, com o objetivo de “instalar uma plataforma de diálogo nacional”, segundo o ministro de Uganda, Okello Oryem. “É uma crise política que pode degenerar em uma guerra civil caso não seja resolvida através do diálogo”, ressaltou Araud.

Pelo menos vinte civis que estavam refugiados em uma base da ONU no Sudão do Sul foram assassinados durante um ataque em que também morreram dois capacetes azuis indianos na sexta-feira. A base localizada no povoado de Akobo, estado de Jonglei, foi atacada por cerca de 2.000 jovens da etnia Lou Nuer. Havia 36 refugiados no local, além de 43 capacetes azuis na pequena base da ONU no momento do ataque. A enviada da ONU para o Sudão do Sul, Hilde Johnson, chamou o ataque de “ato criminoso” e disse que “os responsáveis devem ser levados à Justiça”.

Em Washington, o presidente Barack Obama expressou sua preocupação com aescalada da violência no país africano. “Os recentes combates ameaçam mergulhar o Sudão do Sul novamente nos dias obscuros de seu passado”, declarou. Os Estados Unidos apoiaram a luta do Sudão do Sul por sua independência, conquistada em 2011 após décadas de guerra contra Cartum, que deixaram milhões de vítimas.

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O Sudão do Sul é cenário de confrontos entre soldados leais ao presidente Salva Kiir, que pertence à etnia Dinka, e tropas que seguem o ex-vice-presidente Riek Machar, um Nuer.

(Com agência France-Presse)

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