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Obama termina 2013 com popularidade em baixa e rebatendo críticas

As muitas crises enfrentadas ao longo do ano foram um golpe na popularidade do presidente: 56% dos americanos reprovam seu governo

Por Da Redação - 20 dez 2013, 20h52

‘Este foi o pior ano de sua presidência?’ Esta foi a primeira pergunta direcionada a Barack Obama na entrevista coletiva de encerramento do ano, concedida nesta sexta-feira, na Casa Branca. A resposta não é difícil de adivinhar. 2013 foi o ano do vazamento das informações secretas sobre espionagem, da perseguição a grupos opositores pelo Fisco, do monumental fiasco do site desenvolvido para o sistema Obamacare e do isolamento no discurso pró-invasão na Síria, para citar só algumas das muitas dores de cabeça enfrentadas pelo presidente dos Estados Unidos. É claro que ele não admitiu o pesadelo que os últimos doze meses representaram, apesar de admitir que terá ideias melhores para o próximo ano “depois de alguns dias de descanso e sol”.

Os problemas bateram na popularidade de Obama. Uma pesquisa divulgada pela rede CNN nesta sexta mostrou que 56% dos americanos reprovam a administração do democrata, e só 41% aprovam – o nível mais baixo registrado nos cinco anos de mandato até aqui e que persiste, uma vez que já havia sido verificado no levantamento de novembro. Os índices também estão bem abaixo dos de janeiro, meses depois de Obama ser reeleito, quando ele tinha 55% de aprovação e 43% de reprovação. “Se eu estivesse interessado em pesquisas, eu não teria concorrido à Presidência”, disse na coletiva desta sexta.

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As adversidades com a inscrição no site do Obamacare tiveram peso considerável no mau resultado do governo nas pesquisas. E foi um dos tópicos mais abordados ao longo da entrevista. O site deveria ser justamente a vitrine da reforma na saúde, oferecendo opções detalhadas de planos acessíveis para os americanos. Mas, horas após o lançamento, em outubro, a ferramenta apresentou problemas, dificultando o acesso e a inscrição para os planos.

Além disso, Obama havia prometido que os americanos que quisessem manter seus antigos planos poderiam fazer isso, mas, na prática, milhões de americanos acabaram sendo desligados de operadoras de saúde que encontraram brechas na reforma. Foi necessária uma intervenção da Casa Branca para segurar os cancelamentos até o ano que vem. Como o vexame é indefensável, Obama voltou a dizer que entende que as falhas são fonte de “frustração” para os americanos, e destacou como fato positivo a inscrição de milhões de americanos (que tiveram de aguardar pacientemente que os problemas técnicos fossem resolvidos).

Ele também minimizou o impacto dos cancelamentos. “A implementação está funcionando melhor a cada dia”, disse. “Nós vamos cometer erros e vamos ter problemas, mas minhas intenções sempre permaneceram claras: quero ajudar o máximo possível de pessoas a se sentirem seguras e garantir que elas não vão à bancarrota no caso de ficarem doentes”.

O presidente americano ainda tem respostas a dar sobre os programas de vigilância – disse que vai se dedicar nas próximas semanas à avaliação de um relatório com sugestões de mudanças na Agência de Segurança Nacional encomendado por ele mesmo em meio às críticas sobre a bisbilhotice do seu governo. E ainda está devendo a aprovação da reforma da imigração – além de ter criticado a não aprovação pelo Congresso de regras mais rígidas para venda de armas, uma proposta de seu governo apresentada depois do massacre em uma escola de Newtown, em dezembro de 2012, que deixou vinte crianças e seis adultos mortos.

Um artigo publicado no site do jornal The Washington Post afirma que para Obama ter um ‘feliz Ano Novo’, ele precisa deixar 2013 para trás do mais rápido possível. “Toda a entrevista teve um quê de ‘vamos acabar logo com isso’ – o que, sem dúvida, é como Obama se sente sobre 2013. A realidade é que, em qualquer medida, este ano foi extremamente difícil para Obama”. Apesar de Obama ter feito promessas de “um grande ano”, “um ano de ação” em 2014, o texto ressalta que recomeçar pode ser ainda mais complicado para o democrata.

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