O grito pelos imigrantes
Protestos se espalharam por Nova York e todas as grandes cidades americanas
As batidas diárias e truculentas para prender imigrantes “indesejados” conduzidas pela ICE, a polícia de imigração nos Estados Unidos, subiram de patamar na volta dos feriados, quando um agente atirou à queima-roupa e matou Renée Good, 37 anos, americana, poeta, mãe de três filhos. Vídeos dos tiros e do carro dela, com um buraco de bala no para-brisa e sangue no encosto de cabeça, batendo em um poste na rua cheia de neve, viralizaram. O ato ocorreu em Minneapolis, a mesma cidade onde George Floyd foi estrangulado em 2020 por um policial em plena luz do dia, e, como então, os protestos se espalharam por Nova York e todas as grandes cidades americanas. O governo alega que Renée se preparava para atropelar o agente, embora imagens indiquem que ela tentava se afastar dele. O presidente Donald Trump condenou a vítima por ter sido “desrespeitosa” com a polícia. O prefeito Jacob Frey conclamou a ICE a “cair fora” de Minneapolis, mas o oposto deve ocorrer — 1 000 policiais vão se unir aos 2 000 na cidade, que continuam promovendo detenções em massa. Atiçando ainda mais a fogueira, enquanto o atirador segue impune, o governo se move para abrir investigação sobre supostas ligações da viúva da vítima, Becca Good, com grupos ativistas. À caça a quem está dentro adicionam-se barreiras a quem quer entrar: na quarta-feira 14, o Departamento de Estado suspendeu por tempo indefinido o processamento de pedidos de visto de imigrante (turistas não são afetados) de 75 países — Brasil inclusive.
Publicado em VEJA de 16 de janeiro de 2026, edição nº 2978







