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‘NYT’ classifica ataque dos EUA à Venezuela como ‘ilegal e imprudente’

Principal jornal americano, no entanto, referiu-se ao ditador Nicolás Maduro como 'antidemocrático e repressivo'

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jan 2026, 14h12 • Atualizado em 3 jan 2026, 14h20
  • Em editorial publicado na manhã deste sábado, 3, o The New York Times, um dos principais jornais americanos, classificou a invasão norte-americana à Venezuela como “ilegal e imprudente”. Para os editorialistas, as ações dos Estados Unidos no passado mostram que incursões do tipo criaram mais problemas do que salvação, como no caso do Afeganistão.

    O corpo editorial ainda cobra que Trump explique suas ações em território venezuelano. “Está empurrando nosso país para uma crise internacional sem razões válidas”, diz trecho da publicação. O periódico também cita que o presidente americano deveria seguir a Constituição dos Estados Unidos. Isso porque a Carta Magna local exige que o Congresso seja ouvido e, em caso de aprovação, uma intervenção do tipo ocorrida neste sábado pode ser levada adiante. “Sem a aprovação do Congresso, suas ações violam a lei dos Estados Unidos”.

    Trump afirmou diversas vezes que a intenção contra a ditadura venezuelana era acabar com narcoterroristas que enviam drogas para os Estados Unidos. Para o NYT, a declaração é ridícula, porque a Venezuela não é um produtor significativo de fentanil ou de outras drogas. Segundo especialistas, os principais produtos na América do Sul são Colômbia, Peru e Bolívia, que enviam drogas para, principalmente, Europa por meio de rota que envolve o Brasil. O jornal lembra ainda que enquanto Trump determinava ações contra embarcações no Caribe, indultou Juan Orlando Hernández, que comandou tráfico em Honduras enquanto era presidente local entre 2014 e 2022.

    Ainda segundo a análise realizada pela publicação americana, a Venezuela se tornou o primeiro país submetido ao imperialismo dos últimos tempos e representa um perigoso e ilegal enfoque dos Estados Unidos no mundo. “Trump se arrisca a dar uma justificativa aos líderes de China, Rússia e outros países que querem dominar seus próprios vizinhos. De forma imediata, reproduz a arrogância americana que conduziu a invasão do Iraque em 2003”, diz trecho do editorial com a opinião do jornal.

    O NYT também critica o ditador Nicolás Maduro. A publicação diz que o então comandante do país sul-americano é antidemocrático e repressivo. Ele também é responsabilizado por desestabilizar o hemisfério ocidental nos últimos anos. O NYT lembra que a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou recentemente detalhes de mais de uma década de crimes cometidos pela ditadura Maduro — o que inclui ainda tortura, violência sexual e prisões arbitrárias. Há ainda citação de fraude eleitoral para Maduro permanecer no poder. “Alimentou perturbações econômicas e políticas na região ao instigar êxodo de quase oito milhões de migrantes”, registra o jornal.

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    O editorial lembra também que em 2016, quando Trump venceu pela primeira vez a corrida presidencial pela Casa Branca, parecia reconhecer os problemas militares dos Estados Unidos. Isso porque, ele foi o único republicano a denunciar a situação da guerra no Iraque. Anos depois, já em 2024, afirmou que “Não vou começar guerras. Vou acabar com as guerras”. Agora, segundo o jornal, Trump está abandonando esse princípio e realizado seus atos de maneira ilegal.

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