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Maduro substitui ministro ligado ao controle do câmbio

Jorge Giordani, chamado de 'o professor', dirigia a política econômica do país desde 1999 e foi responsável pela desvalorização da moeda local

Por Da Redação 18 jun 2014, 07h38

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta terça-feira a substituição do ministro do Planejamento, Jorge Giordani, chavista histórico e um dos maiores defensores do controle do câmbio no país. “Quero agradecer o professor Jorge Giordani, companheiro de todos estes anos de luta, companheiro do comandante Chávez (…) e do governo revolucionário da Venezuela” por sua contribuição, disse Maduro em Petare, no estado de Miranda.

Para o lugar de Giordani o presidente nomeou Ricardo Menéndez, um geógrafo que até o momento era ministro da Educação Universitária e já ocupou a pasta da Ciência e Tecnologia. “Pedi ao ministro Ricardo Menéndez, um geógrafo e estudioso da economia, planejador que assuma o ministério do Planejamento, se dedicando a esta tarefa de maneira específica”.

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Giordani, 73 anos, foi o homem que dirigiu a política econômica da Venezuela a partir de 1999, quando Chávez assumiu o poder. Chamado de “o professor”, Giordani foi o responsável pelas cinco desvalorizações do bolívar nos últimos dez anos de controle do câmbio. Para alguns, a saída de Giordani do Planejamento pode apontar para uma alteração no sistema de câmbio da Venezuela, responsável pela escassez de produtos básicos e por uma inflação anual de 60,9%.

Imersa em um desequilíbrio financeiro em que as despesas excedem a renda das exportações de petróleo e a arrecadação de impostos, o governo solicitou ao Banco Central venezuelano para imprimir mais dinheiro. O resultado óbvio de mais capital sem lastro em circulação no mercado é a inflação fora de controle. A oferta não pode acompanhar a demanda inflada pela injeção de bolívares. (Continue lendo o texto)

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Além disso, há uma estagnação na produção de petróleo, principal produto de exportação do país, fazendo com que a Venezuela não consiga ampliar os lucros com a venda da commodity. Ao mesmo tempo, o preço dos bens importados aumenta rapidamente porque a demanda por dólares tornou-se insustentável, já que o governo controla o câmbio artificialmente desde 2003, e o livre acesso à compra e venda de divisas está proibido desde então.

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O Sistema Complementar de Administração de Divisas (Sicad) realiza leilões semanais de 100 milhões de dólares a uma taxa de 11,30 bolívares. Apenas importadores, porém, podem participar destes leilões. Pessoas físicas e jurídicas precisam realizar seus pedidos por meio de mecanismos burocráticos e somente no fictício câmbio oficial, de 6,30 bolívares por dólar. Nas ruas, a moeda americana é vendida por um valor mais de dez vezes mais caro, chegando até 70 bolívares. O resultado dessa política cambial insana é um ciclo de escassez de dólares no mercado venezuelano, com as empresas não conseguindo importar e, com isso, ampliando a inflação e o desabastecimento de produtos.

País com as maiores reservas petroleiras do planeta, a Venezuela atravessa uma severa crise econômica. O presidente Maduro acusa setores ligados à oposição venezuelana e conservadores dos Estados Unidos e Colômbia de promover uma “guerra econômica” contra seu governo. A Venezuela enfrenta uma onda de protestos desde fevereiro devido à inflação, à falta de produtos básicos – como papel higiênico, açúcar, farinha ou leite – e à altíssima violência que provoca em média 65 mortes por dia no país.

(Com agência France-Presse)

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