Macron pede que premiê permaneça como interino até nomeação de substituto
Michel Barnier apresentou renúncia ao presidente da França na manhã desta quinta, um dia após Parlamento votar para destituí-lo

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que Michel Barnier permaneça no cargo de primeiro-ministro na condição de interino até que um substituto seja nomeado. Ele apresentou sua renúncia nesta quinta-feira, 5, um dia após parlamentares da extrema direita e da esquerda se juntarem em uma votação para derrubar seu governo, aprofundando a crise política em um dos “motores” da Europa.
Barnier, que foi indicado ao posto por Macron há apenas três meses, tornou-se dono da carreira de premiê mais breve na história moderna francesa.
Ao entregar sua renúncia, o agora interino conversou com o presidente francês por mais de uma hora. O presidente francês fará um pronunciamento às às 20h (16h em Brasília), segundo o Palácio do Eliseu.
Entre os vários nomes especulados para substituí-lo estão François Bayrou, veterano centrista e próximo a Macron; Sébastien Lecornu, atual ministro do Exército, também fiel ao presidente; e Bernard Cazeneuve, ex-premiê da esquerda moderada. O presidente também pode pedir ao próprio Barnier que forme um novo gabinete.
Estava previsto que Bayrou se encontrasse com Macron no palácio do Eliseu ainda nesta quinta, relataram o jornal Le Parisien e a rádio RTL.
Crise se aprofunda
A crise política ocorre no contexto da tentativa de aprovação do orçamento de 2025. Os dois blocos de extremos opostos do espectro político decidiram colocar um basta ao governo atual depois que Barnier confirmou suas intenções de usar uma manobra constitucional para passar por cima da Assembleia Nacional e aprovar o plano de gastos sem o apoio dos deputados. Isso porque algumas concessões de última hora se mostraram insuficientes para ganhar o apoio do Reagrupamento Nacional ao orçamento proposto pelo governo.
O governo do premiê de centro-direita, sem maioria na Assembleia Nacional, dependia do apoio do partido de extrema direita para sua sobrevivência. O projeto de lei orçamentária, que busca conter o crescente déficit público da França, por meio de 60 bilhões de euros (cerca de 382 bilhões de reais) em aumentos de impostos e cortes de gastos, rompeu a aliança frágil. Os dois lados culparam-se mutuamente pelo fracasso nas negociações sobre o plano de gastos, dizendo que fizeram todo o possível para chegar a um acordo.
O resultado da votação aprofundou a crise política da França e apresentou mais um chacoalhão para uma Europa em crise, depois que a Alemanha também aprovou uma moção semelhante para tirar o atual chanceler, Olaf Scholz, do poder — isso tudo semanas antes de Donald Trump, conhecido pela postura isolacionista e protecionista na política externa, retornar à Casa Branca.
Enquanto isso, embora a rejeição do Parlamento não afete diretamente Macron, cujo mandato termina em 2027, ela o enfraquece ainda mais, especialmente após ele ter decidido nomear Barnier, 73, como primeiro-ministro em setembro (depois de ter convocado eleições parlamentares antecipadas diante do crescimento da popularidade da extrema direita francesa nas eleições ao legislativo da União Europeia) “em nome da estabilidade”. A oposição pede que ele também renuncie.