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Líderes da UE não chegam a acordo sobre imigração

União Europeia, porém, pretende adotar medidas temporárias como um sistema de cotas para alocar refugiados e também ajuda financeira para os países localizados nas fronteiras externas do bloco

Os líderes da União Europeia (UE) divergiram nesta sexta-feira sobre a necessidade de revisar a política de migração do bloco, após novos naufrágios com mortes de imigrantes no Mediterrâneo nas últimas semanas. Os representantes dos países chegaram ao segundo dia de debates em Bruxelas com diferentes abordagens sobre como construir um acordo a respeito da chegada de imigrantes. Os países não conseguiram avançar na questão, que resulta em tensas relações entre os países mediterrâneos, como a Itália, Espanha e Grécia – a primeira porta de entrada para muitos imigrantes – e as nações do norte europeu, relutantes em receber mais refugiados.

Apesar de a UE ter abolido o controle de fronteiras entre os seus 28 países membros, ainda não há uma política de imigração comum. Os membros da UE não estão autorizados a enviar imigrantes para nações localizadas no centro da Europa como uma forma de compartilhar os estrangeiros de maneira igual. Líderes que defendem uma reforma no sistema de imigração temem o resultado das eleições de maio, que podem eleger para o Parlamento Europeu com mais eurodeputados xenófobos e dificultar uma possível alteração da política de imigração.

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“Diante deste sofrimento estamos todos chateados, mas sabemos também que os fluxos migratórios são fenômenos complexos”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. O primeiro ministro da Finlândia, Jyrki Katainen, também se manifestou e disse que a política de imigração da União Europeia era muito boa, mas que o bloco deve trabalhar em estreita colaboração com outros países para reprimir o tráfico de pessoas. “Nós precisamos trabalhar mais para evitar situações similares como vimos em Lampedusa”, disse o primeiro ministro, referindo-se ao naufrágio que ocorreu na costa italiana no último dia 3 de outubro, no qual cerca de 360 pessoas morreram, a maioria proveniente da Somália e Eritreia.

Werner Faymann, chanceler da Áustria, sinalizou uma abertura maior para revisar o atual sistema. Como medidas temporárias, a União Europeia deve montar um sistema de cotas para alocar refugiados e também uma ajuda financeira extra para os países localizados nas fronteiras externas do bloco. O chanceler disse que a adoção de uma política comum da União Europeia sobre imigração levaria “um longo período de tempo e muitas discussões”. A ideia de adotar cotas com base no tamanho relativo dos países membros e da capacidade de abrigar imigrantes já havia sido lançada, mas nunca conseguiu apoio. “Uma iniciativa deve ser tomada. É inaceitável que tantas pessoas já tenham morrido”, disse o primeiro-ministro da Bélgica, Elio di Rupo.

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A prefeita da ilha italiana de Lampedusa, Giusi Nicolini, advertiu na quinta-feira em Bruxelas que a Europa pode “naufragar” se não forem tomadas medidas para reformar a política de asilo e o direito à imigração. “Vamos colocar mais barcos, alguns países o farão”, disse o presidente francês, François Hollande.

Novas chegadas de imigrantes – Na noite de quinta-feira, quase 700 refugiados foram resgatados em diferentes operações no estreito da Sicília. Segundo organizações não governamentais, cerca de 17.000 imigrantes perderam a vida ao tentar cruzar o Mediterrâneo nos últimos 20 anos. Desde janeiro de 2013, 140 barcos com 13.075 refugiados chegaram a Lampedusa, que conta com 6.000 habitantes, segundo o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

(Com agência AFP e Estadão Conteúdo)