Kim Jong-un é ‘reeleito’ na Coreia do Norte e surpresa é zero
Reeleição ocorre em congresso quinquenal do regime; ditador promete melhorar economia sob sanções e amplia sinais de sucessão familiar
Por Ernesto Neves 23 fev 2026, 09h17 • Atualizado em 23 fev 2026, 16h39
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Kim Jong-un foi reconduzido como secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, reafirmando o foco nuclear do país e buscando melhorar a economia. O congresso revelou reformulações internas e a crescente proeminência da filha Ju-ae, enquanto o regime reforça alinhamentos estratégicos.
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O ditador norte-coreano Kim Jong-un foi reconduzido ao cargo de secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, segundo informou a agência estatal KCNA. A decisão foi formalizada no domingo, durante o nono congresso da legenda, realizado em Pyongyang.
A recondução não representa surpresa. Desde o fim da década de 1940, a Coreia do Norte é governada pela família Kim, primeiro sob Kim Il Sung, depois por Kim Jong Il e, desde 2011, por Kim Jong-un, que assumiu o poder após a morte do pai.
Segundo a KCNA, o partido avaliou que, sob a liderança de Kim, o país “melhorou radicalmente” sua capacidade de dissuasão militar, “tendo as forças nucleares como eixo central”.
Apesar de sanções internacionais impostas sobretudo pelos Estados Unidos e seus aliados, Pyongyang mantém um programa nuclear ativo e realiza testes de mísseis balísticos intercontinentais proibidos por resoluções da ONU.
A opacidade do regime, no entanto, dificulta a avaliação independente sobre o real avanço tecnológico do arsenal.
Congresso quinquenal e prioridades do regime
O congresso do partido, realizado a cada cinco anos na última década, é considerado o principal evento político do país e oferece raros indícios sobre as prioridades estratégicas do regime, da política externa ao desenvolvimento econômico.
De acordo com a KCNA, cerca de 5.000 membros participaram do encontro.
Houve ainda uma reformulação significativa do presidium, o comitê executivo do partido: mais da metade dos 39 integrantes foi substituída em relação ao congresso anterior, realizado em 2021.
No discurso de abertura, Kim afirmou que a melhoria da economia e do padrão de vida da população constitui uma “tarefa histórica pesada e urgente”.
A Coreia do Norte enfrenta dificuldades econômicas agravadas por sanções internacionais, fechamento de fronteiras durante a pandemia e limitações estruturais de sua economia planificada.
Armas nucleares e recado ao Ocidente
Antes da abertura do congresso, o regime apresentou o que descreveu como uma nova gama de lançadores de foguetes com capacidade nuclear.
Analistas interpretam o movimento como sinal de que o líder deve anunciar uma nova etapa no desenvolvimento de armamentos estratégicos.
Desde que assumiu o poder, Kim ampliou substancialmente o programa nuclear, elevando o grau de tensão com Washington. O ditador norte-coreano passou a ser visto como um desafio mais complexo para o Ocidente, em especial para os Estados Unidos.
Sucessão e alinhamentos internacionais
A sucessão dinástica também ganhou destaque. A agência de inteligência da Coreia do Sul afirmou neste mês que Kim teria escolhido sua filha, Ju-ae, como herdeira política. A adolescente, que teria cerca de 13 anos, tem aparecido com frequência crescente em eventos oficiais, incluindo inspeções de mísseis e cerimônias militares.
Em uma recente parada militar em Pequim, líderes da Coreia do Norte, da China e da Rússia estiveram lado a lado, em gesto interpretado como demonstração de alinhamento frente aos Estados Unidos e seus aliados.
O presidente chinês, Xi Jinping, telefonou para Kim na segunda-feira para parabenizá-lo pela recondução, segundo a imprensa estatal chinesa, e afirmou que pretende trabalhar para “escrever um novo capítulo” na amizade entre os dois países.
Pequim é o principal parceiro comercial e fonte de ajuda econômica de Pyongyang, embora mantenha cautela diante das ambições nucleares norte-coreanas e da crescente aproximação entre Kim e o presidente russo, Vladimir Putin.
Ao reforçar o discurso de fortalecimento militar enquanto promete avanços econômicos, Kim Jong-un sinaliza a continuidade de uma estratégia que combina centralização política, dissuasão nuclear e diplomacia seletiva com aliados estratégicos, em meio a um cenário internacional de tensões persistentes na Ásia.





