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Junto com mineiros, Piñera resgata sua popularidade

O presidente, que é também empresário, administrou a crise com eficiência e se fortaleceu

O resgate histórico dos 33 mineiros, que ficaram dois meses a quase 700 metros abaixo da terra, fez a popularidade do presidente chileno crescer. Mesmo antes do início da operação, o simples anúncio de que os operários estavam vivos já refletiu na opinião dos chilenos sobre Sebastián Piñera. O empresário, que assumiu a presidência logo após um devastador terremoto, usou as habilidades adquiridas no mundo corporativo para gerenciar a nova crise e aproveitar as oportunidades criadas por ela.

De março deste ano, quando Piñera tomou posse, até agosto, a sua popularidade havia caído de 52% para 46%. Segundo analistas, o motivo foram as críticas à maneira como o presidente respondeu ao terremoto, que deixou mais de 800 mortos, no país, em fevereiro.

Mas, diante da nova crise, que ganhou dimensões nacionais – e repercussão mundial – Piñera se saiu melhor. Após a divulgação da notícia de que os mineiros estavam vivos, em 22 de agosto, a popularidade do presidente cresceu, chegando a 56%, segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Adimark.

Desde então, os números tendem a subir. O “presidente empresário” avaliou os riscos envolvendo a situação dos 33 mineiros soterrados e viu as oportunidades na crise. Com a perspectiva de um final feliz, ele organizou um show midiático e transmitiu ao mundo a imagem dos novos heróis voltando à superfície.

Como o diretor de uma empresa, Piñera se manifestou ou esteve na mina San José para motivar os envolvidos em todos os momentos emblemáticos do caso: logo que ocorreu a tragédia, na data em que se descobriu que os operários estavam vivos e, principalmente, nas 48 horas do resgate.

Analistas chilenos avaliam que as ações do governo foram pensadas, visando uma aproximação com os parentes dos mineiros, de maneira a humanizar o resgate. O comentarista Patricio Navia, do jornal La Tercera, chegou a chamar Piñera de “o 34º mineiro”.

Além do presidente, o ministro da Mineração, Laurence Golborne, também se beneficiou politicamente. O engenheiro, que antes do resgate era praticamente desconhecido, já é citado pelos chilenos como o possível sucessor de Piñera.

A riqueza do Chile O motivo de tamanha popularidade é que o governo chileno soube usar o drama para unir a população e trazer à tona um sentimento nacionalista. Na entrevista coletiva realizada antes do início do resgate, Piñera afirmou que “o episódio será mais um capítulo na história de superação do Chile”.

O presidente também lembrou as tragédias anteriores enfrentadas pela população chilena, como o terremoto, e disse que desta vez a história teria um final feliz. “Este episódio provará que somos capazes de fazer grandes coisas”, falou. “O mundo inteiro vai compartilhar a alegria desses mineiros. Não vamos esquecer a noite de hoje nunca”.

De fato, é difícil esquecer o momento em que o primeiro mineiro saiu da cápsula “Fênix” e abraçou o filho de sete anos, que chorava copiosamente. Piñera estava ali, ao lado, para receber um longo abraço do mineiro agradecido.

Na manhã desta quarta-feira, quando mais de dez operários haviam sido içados à superfície, Piñera estava de volta à mina San José. “A grande riqueza do Chile não é o cobre, são os mineiros”, afirmou em tom de discurso.

Doutorado em Harvard – Piñera tem 58 anos, é casado, tem quatro filhos e é um dos homens mais ricos do país.

Nascido em Santiago, o presidente é o terceiro de seis filhos. Ele morou com a família na Bélgica e nos Estados Unidos, onde seu pai foi embaixador junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Piñera estudou Economia na Pontifícia Universidade Católica do Chile e fez Doutorado na mesma área na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ele voltou ao seu país em 1976, quando se dedicou a dar aulas e também ao mundo dos negócios. Trabalhou em diversas empresas e, anos mais tarde, se tornou acionista da companhia aérea Lan Chile e proprietário da TV Chilevisión – a qual decidiu vender ao assumir a presidência.