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Irmandade Muçulmana ameaça deixar diálogo com governo

Obama tinha afirmado que as negociações sobre a crise estavam progredindo

Por Da Redação 7 fev 2011, 20h03

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que as discussões para a resolução da crise no Egito estão progredindo. Porém, o maior grupo de oposição, Irmandade Muçulmana, disse que poderá abandonar o processo de diálogo se as exigências dos manifestantes não forem atendidas.

As declarações de Obama parecem contradizer as de dirigentes egípcios de oposição que anunciaram poucos avanços a respeito da sua pauta de reivindicações, que inclui a renúncia imediata do presidente Hosni Mubarak. “Obviamente, o Egito tem de negociar um caminho, e eles estão tendo progressos”, disse Obama a jornalistas em Washington.

Os EUA pedem a todas as partes envolvidas que deem tempo para uma “transição ordeira” a uma nova ordem política no Egito, há décadas um aliado estratégico de Washington. Mas a oposição teme que, se Mubarak sair, ele seja substituído por outro governante autoritário, sem a adoção do regime democrático ao qual aspiram os manifestantes que há quase duas semanas protestam no país.

A Irmandade Muçulmana é o mais bem organizado grupo oposicionista do Egito, apesar de estar proibida há décadas. A possibilidade de que essa organização islâmica ascenda ao poder causa inquietação entre os aliados ocidentais do Egito. Obama disse que a Irmandade não possui apoio majoritário.

Mubarak, de 82 anos, promete deixar a Presidência depois das eleições de setembro, e diz que uma renúncia imediata causaria caos no país. O foco dele nos últimos dias tem sido restaurar a ordem, e o governo parece estar querendo ganhar tempo. Os manifestantes acampados na praça Tahrir, no centro do Cairo, prometem ficar lá até que Mubarak renuncie, e convocaram novos protestos para terça e sexta-feira.

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Para tentar permitir a fluidez do tráfego, o Exército pressionou na segunda-feira os manifestantes a reduzirem a área ocupada na praça. Antecipando-se a isso, os egípcios saíram das suas barracas durante a noite para cercar os soldados. Em duas semanas da “Revolução do Nilo”, como a chamam alguns manifestantes, cerca de 300 pessoas morreram e outras 5.000 ficaram feridas, segundo estimativas da ONU.

Reforma – A oposição pleiteia uma reforma constitucional que leve a eleições livres e limpas, limite a quantidade de mandatos presidenciais, dissolva o Parlamento, permita a libertação de presos políticos e suspenda a lei de emergência. “Estamos avaliando a situação. Vamos reconsiderar toda a questão do diálogo”, disse Essam el Erian, dirigente da Irmandade Muçulmanas. “Vamos reconsiderar segundo os resultados. Algumas das nossas exigências já foram atendidas, mas não houve resposta à nossa principal exigência, de que Mubarak saia.”

O governo divulgou uma nota após a primeira rodada de reuniões, no domingo, dizendo que havia acordo sobre os rumos do processo, mas com poucas concessões à oposição. A nota sugere que as reformas serão implementadas com Mubarak ainda no poder até setembro. Também impõe condições para a revogação da lei de emergência, que segundo a oposição é usada para reprimir dissidentes.

Depois do início da crise, Mubarak nomeou um novo gabinete, que na segunda-feira prometeu, na sua primeira reunião, manter subsídios e atrair investimentos estrangeiros. As concessões à oposição são uma tentativa de contornar os protestos, como o anúncio de um aumento de 15% nos salários do funcionalismo e nas aposentadorias.

(Com agência France-Presse)

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