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Incêndio em universidade impede avanço da polícia em Hong Kong

Agentes invadiram campus onde manifestantes estão entrincheirados, mas recuaram quando estudantes atearam fogo a barricada e lançaram coquetéis molotov

Por Da redação - 17 nov 2019, 23h36

A polícia invadiu o campus da Universidade Politécnica de Hong Kong, controlado por manifestantes, no início da segunda-feira (horário local, domingo, 17, em Brasília). Porém, os agentes tiveram de recuar quando os estudantes atearam fogo a uma barricada e lançaram coquetéis molotov.

Várias explosões foram ouvidas ao amanhecer desta segunda, antes de uma parede de fogo subir na entrada do campus. A polícia disse ter feito três disparos com munição letal nas primeiras horas da manhã em um local de manifestação perto da universidade, mas afirmou que ninguém parecia ter sido atingido.

A polícia, que alertou que todos na área podem ser acusados de tumultos, realizou diversas detenções. Ao amanhecer, os manifestantes permaneciam no controle da maior parte do campus.

Confrontos intensos foram reportados durante todo o domingo, com um policial ferido na perna por uma flecha. Manifestantes respondiam com bombas incendiárias às de gás lacrimogênio lançadas por policiais ao longo do distrito de Kowloon, enquanto um chamado foi feito para defender o campus sitiado.

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Ali, os manifestantes abaixavam os guarda-chuvas para se proteger dos ocasionais jatos d’água disparados por policiais, e atiraram de volta coquetéis molotov em um veículo blindado, deixando-o em chamas em um viaduto perto do campus.

A polícia declarou o campus cenário de “rebelião” e bloquearam as saídas, enquanto o porta-voz, Louis Lau, fazia um duro alerta em uma transmissão ao vivo no Facebook.

“Por meio deste, alerto os agitadores a não usarem bombas incendiárias, flechas, carros ou quaisquer outras armas mortais para atacar os policiais”, declarou. “Se continuarem com estes atos perigosos, não teremos outra opção que usar a mínima força necessária, incluindo munição letal”, acrescentou.

O medo tomou conta dos manifestantes ainda presos dentro do campus. “Estou assustado. Não tem saída. Tudo o que posso fazer é lutar até o fim”, disse um manifestante que se unia à barricada em frente ao prédio da universidade na manhã desta segunda-feira.

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Desde junho os manifestantes protestam no centro financeiro e ex-colônia britânica, onde muitos de seus 7,5 milhões de habitantes reagiram com fúria à perda de liberdades após a devolução à China.

Pequim tem alertado reiteradamente que não tolerará o dissenso, gerando preocupação com um eventual envio de tropas da China continental para pôr fim à espiral de protestos. Três manifestantes foram baleados pela polícia desde o início dos protestos.

‘Impotentes’

Owen Li, membro do conselho e aluno da universidade, disse que o pânico tomou conta das poucas centenas de manifestantes que acredita que estejam escondidos ali. “Muitos amigos se sentem impotentes… Apelamos a toda a sociedade a vir aqui e nos ajudar”, acrescentou.

Durante todo o domingo, os ativistas repeliram as tentativas da polícia de invadir o campus, atirando pedras de uma catapulta improvisada no telhado da universidade, enquanto um grupo de arqueiros encapuzados – alguns carregando flechas esportivas – patrulhavam o local.

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A violência piorou nos últimos dias, com a morte de dois homens em incidentes separados vinculados aos protestos este mês.

O presidente chinês, Xi Jinping, fez esta semana os comentários mais contundentes sobre a crise, afirmando que esta ameaçava o modelo “um país, dois sistemas”, sob o qual Hong Kong tem sido regido desde que foi devolvida pela Grã-Bretanha, em 1997.

Na semana passada, os manifestantes lançaram a campanha “Blossom Everywhere” (Desabrochar por toda parte), com bloqueios e atos de vandalismo, que forçaram a polícia a convocar agentes prisionais como reforço, suspender grandes trechos da rede de transporte público de Hong Kong e fechar escolas e shopping centers.

Os manifestantes protestam contra um agora engavetado projeto de lei que prevê a extradição para a China, mas suas demandas agora incluem questões mais amplas, como a violência policial e pedidos por eleições totalmente livres na ex-colônia britânica.

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O centro financeiro foi empurrado para uma recessão pela agitação sem trégua.

Um cartaz que circulou nas redes sociais pedia a continuidade dos atos nesta segunda-feira. “Espremer a economia para aumentar a pressão”, dizia.

(Com AFP)

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