Guinada à direita no Chile
A posse de José Antonio Kast, na quarta-feira 11, representa uma inédita virada
É uma mudança e tanto no Chile. Trinta e seis anos depois da ditadura militar de Augusto Pinochet, que governou o país com mão de ferro de 1973 a 1990, a posse de José Antonio Kast, na quarta-feira 11, representa uma inédita virada à direita. Houve as duas gestões do conservador Sebastián Piñera, entre 2010 e 2014 e 2018 e 2022, empresário alheio às engrenagens da política, que soube conduzir a economia e entregá-la ao livre mercado sem entrar na guerra ideológica. Agora é diferente. Kast, de 60 anos, tem uma pauta comportamental, herdeira do tempo de Pinochet, que conversa com as posições de Donald Trump: ele propõe um “governo de emergência”, centrado no controle da criminalidade, no freio à migração ilegal e no combate ao aborto. Os humores do Chile, agora, dão as mãos a outros países da América do Sul que também rechaçaram candidatos de esquerda, como a Argentina de Javier Milei; o Paraguai de Santiago Peña; e o Equador de Daniel Noboa. Ao deixar o Palácio de La Moneda, Gabriel Boric, cujas promessas não se concretizaram — criticado por sindicalistas, ambientalistas e feministas, incapaz de costurar uma nova Constituição —, teve postura sincera, ao lembrar a memória do personagem que o inspirou, desde o tempo de movimento estudantil, o ex-presidente socialista Salvador Allende, deposto pelo golpe de Pinochet: “A dignidade de Allende não será manchada por quaisquer erros que eu possa ter cometido”. Os futuros passos chilenos merecem ser acompanhados com atenção.
Publicado em VEJA de 13 de março de 2026, edição nº 2986







