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Exército sírio assume controle de reduto rebelde e oposição teme massacre

Por Da Redação 1 mar 2012, 14h17

O Exército sírio anunciou que assumiu nesta quinta-feira o controle total do bairro rebelde de Baba Amr, após dois dias de combates com os insurgentes, que anunciaram uma “retirada tática” e se declararam preocupados com um possível massacre na tomada de seu reduto em Homs.

Quase um ano depois da explosão de uma revolta que inicialmente era pacífica, a oposição, incapaz de derrubar o regime com suas manifestações, anunciou finalmente a criação de um “gabinete militar”, reconhecendo “a importância de controlar a resistência armada na Síria”.

“O Exército sírio controla a totalidade de Baba Amr, caíram todos os últimos focos de resistência”, afirmou à AFP uma fonte dos serviços de segurança em Damasco.

“Os soldados estão distribuindo alimentos à população que estava bloqueada e retirando os feridos”, completou a mesma fonte, segundo a qual os rebeldes permanecem nos bairros de Hamadiyeh e de Khaldiyeh, e as operações de desalojamento prosseguirão.

Ao mesmo tempo, o coronel Riad Assad, comandante do Exército Sírio Livre (ESL), composto principalmente por desertores que abandonaram o regime após a mobilização opositora iniciada em março de 2011, anunciou uma “retirada tática” de seus combatentes de Baba Amr, bairro cercado e bombardeado há 27 dias pelas forças do regime de Bashar al-Assad.

A oposição síria também apelou à comunidade internacional para que intervenha e detenha um “potencial massacre” com a tomada de Baba Amr pelas forças leais ao governo.

“Pedimos à comunidade internacional, muçulmana e árabe que intervenham imediatamente para evitar um potencial massacre de milhares de crianças, mulheres e idosos”, afirmou o Conselho Nacional Sírio (CNS) em um comunicado.

Segundo o opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, pelo menos 17 civis morreram nesta quinta-feira nos combates entre o Exército sírio e os combatentes do ESL nos arredores de Baba Amr.

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O coronel Riad Asaad afirmou que os rebeldes usam armas leves e médias, contra uma artilharia pesada do Exército oficial.

Mas o ESL começará a receber mais armas depois da decisão do Conselho Nacional Sírio (CNS), o principal movimento da oposição, de organizar a entrega de armamento aos insurgentes por meio de um gabinete militar recém criado.

O gabinete militar reunirá o ESL e outro comitê criado por um general desertor. Riad Asaad e o general Mustafah al-Sheikh, chefe de um “Conselho Militar Revolucionário Superior”, “concordam em participar nesta instância”, segundo fontes insurgentes.

A ideia de armar a oposição, a qual Washington demonstra dúvidas pelo temor de que a Al-Qaeda aproveite a violência, recebe cada vez mais apoio.

O Parlamento do Kuwait aprovou nesta quinta-feira uma resolução não vinculante para o governo que defende o envio de armas à oposição síria e o rompimento das relações diplomáticas com Damasco. O primeiro-ministro do Qatar, Hamed ben Khasem al-Thani, afirmou que seu país está disposto a estudar “todas as opções” para salvar o povo sírio.

Diante da violência que matou mais de 7.600 pessoas desde março de 2011 e da grave crise humanitária, o Conselho de Direitos da ONU aprovou uma resolução de condenação às “violações cada vez mais graves dos direitos humanos” na Síria e que pede ao regime de Bashar al-Assad uma autorização de “acesso sem obstáculos” às Nações Unidas e as agências humanitárias.

O tempo também é curto para os dois jornalistas franceses, Edith Bouvier e William Daniels, feridos e provavelmente bloqueados em Homs.

Bouvier, que trabalha para o jornal Le Figaro, foi gravemente ferida em 22 de fevereiro no bombardeio que matou a repórter americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Rémi Ochlik.

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