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Ex-presidente Mubarak é condenado à prisão perpétua no Egito

Por Por Inès Bel Aiba e Samer al-Atrush - 2 jun 2012, 09h58

O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, de 84 anos, que dirigiu o país durante 30 anos e foi derrubado na “Primavera Árabe”, foi condenado neste sábado à prisão perpétua pela sangrenta repressão de manifestantes durante a revolta de 2011.

O ex-chefe de Estado, que compareceu em uma maca, com óculos escuros, e recebeu a sentença de forma impassível, apelará da decisão, anunciou um de seus advogados.

“Apelaremos da sentença. O veredicto está cheio de erros jurídicos”, indicou à AFP Yasser Bahr.

Mubarak, que se encontrava antes da sentença em prisão preventiva em um hospital militar, foi levado logo após a decisão à ala médica da prisão de Tora, na periferia do Cairo, para cumprir a pena, anunciaram os serviços de segurança.

Primeiro líder derrubado pela “Primavera Árabe” a comparecer diante de um juiz, Mubarak declarou-se inocente no início do julgamento, que começou no dia 3 de agosto de 2011.

Mubarak escapou da pena de morte, que havia sido pedida pela promotoria, e também foi absolvido em um dos casos de corrupção.

Seu ex-ministro do Interior, Habib el-Adli, também julgado pela morte de cerca de 850 pessoas durante a revolta popular de janeiro e fevereiro de 2011, recebeu a mesma sentença, enquanto seis funcionários de alto escalão dos serviços de segurança foram absolvidos.

O tribunal não condenou, no entanto, os dois filhos de Mubarak, Alaa e Gamal, julgados ao mesmo tempo por corrupção, ao considerar que os crimes prescreveram, declarou o presidente do tribunal, o juiz Ahmed Rifaat.

Alaa e Gamal Mubarak, vestidos com a roupa branca dos prisioneiros, tinham um semblante sério e os olhos marcados pelas olheiras.

Os dois ficaram com os olhos marejados após a leitura do veredicto.

No entanto, ainda enfrentam outro julgamento, que deve ter início em breve, por um caso de corrupção relacionado com a Bolsa de Valores.

Após a sentença, ocorreram confrontos na sala do tribunal, nos arredores do Cairo.

“O povo quer que a justiça seja limpa!”, gritaram alguns advogados, furiosos após a absolvição de seis autoridades de segurança e o anúncio da prescrição dos crimes contra Alaa e Gamal Mubarak.

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A rede de televisão estatal, que transmitiu a audiência ao vivo, mostrou imagens de um jovem com o pescoço ensanguentado enquanto outros homens brigavam.

Alguns advogados dentro da sala disseram à AFP que temiam que Mubarak e Adli fossem declarados inocentes em segunda instância.

O juiz Rifaat disse ter tomado sua decisão com “a consciência tranquila”.

Teve palavras muito duras para a situação do Egito durante os trinta anos de governo de Mubarak, ao fazer referência à pobreza da população.

Também homenageou os manifestantes que se revoltaram contra o regime no início do ano passado.

“Eles se dirigiam à Praça Tahrir pacíficos, só pediam justiça, liberdade, democracia”, afirmou.

A audiência ocorreu em meio a fortes medidas de segurança.

Centenas de policiais antidistúrbios e veículos blindados do exército rodeavam o edifício para evitar a repetição dos confrontos que ocorreram em outras ocasiões diante do edifício entre partidários e opositores a Mubarak.

Em frente ao tribunal, cerca de vinte familiares das vítimas, procedentes de Alexandria, seguravam retratos de seus “mártires”.

“Trinta anos de tortura e de assassinato da juventude, o derrubado deve ser executado!”, gritavam.

O veredicto foi comunicado em meio ao processo para designar o sucessor do presidente deposto, em eleições pluralistas que contrastam com as votações decididas de antemão que permitiram ao ex-líder se manter no poder durante três décadas.

No segundo turno, nos dias 16 e 17 de junho, se enfrentarão Mohammed Mursi, da Irmandade Muçulmana, e o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq.

Ex-chefe da Força Aérea egípcia e depois vice-presidente de Anwar al-Sadat, Mubarak tomou as rédeas do país mais populoso do mundo árabe – 82 milhões de habitantes – após o assassinato de Sadat, em 1981.

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