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Europa anuncia um reforço de sua ‘porta corta-fogo’ abaixo das expectativas

Por Por Miguel Enesco 30 mar 2012, 13h48

Os países da Eurozona concordaram nesta sexta-feira em reforçar temporariamente sua “porta corta-fogo” anticrise, mas muito abaixo das expectativas da comunidade internacional, para garantir um eventual resgate de uma economia do tamanho da Espanha, convertida na principal inquietação da união monetária.

Em uma dura negociação nesta sexta-feira em Copenhague, os ministros dos 17 países da Eurozona concordaram em dar ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), que entrará em vigor em julho, “uma potência máxima de 800 bilhões de euros”, como pretendia a Alemanha.

Mas, deste valor, 300 bilhões correspondem aos empréstimos já concedidos à Grécia, Irlanda e Portugal, indicou o comunicado do Eurogrupo. Portanto, este fundo de resgate terá disponível 500 bilhões de euros, o mínimo levantado nas negociações.

Esta munição pode ser insuficiente para os mercados, para o FMI e a OCDE, que aconselhou um dispositivo de um trilhão de euros para proteger a Eurozona de um contágio da crise da dívida a países como Espanha e Itália.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, deu as boas-vindas nesta sexta-feira à decisão da Eurozona, considerando que isso ajudará o organismo com sede em Washington a encontrar recursos suplementares.

“A combinação do MES (Mecanismo Europeu de Estabilidade) e do FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), além de outros esforços recentes da Europa, fortalecerá a porta corta-fogo europeia e sustentará os esforços do FMI para aumentar seus recursos disponíveis em benefício de todos os membros”, afirmou Lagarde.

Há alguns meses o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os países emergentes do G20, entre eles o Brasil, aumentaram a pressão sobre a Europa, exigindo um reforço da munição dos “corta-fogos”, em troca de ajuda ao continente.

A Comissão Europeia (CE) e alguns países como França tinham um objetivo mais ambicioso. Pertenciam dar uma imagem de extrema solidez perante os mercados elevando o MEDE, o fundo permanente de resgate, a 940 bilhões de euros.

Para isso, propuseram somar também os fundos ainda não utilizados do FEEF, estimados em 240 bilhões de euros, como modo de reserva e em caso de extrema necessidade.

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Sobretudo em um momento no qual a Espanha se tornou a preocupação número um da Eurozona.

O governo espanhol aprovou seu projeto de orçamento para 2012, que prevê um corte de “mais de 27 bilhões de euros” neste ano.

“Estamos diante de uma situação limite”, reconheceu a porta-voz do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, ao término do Conselho de Ministros. A Espanha se comprometeu a reduzir até o fim de 2012 seu déficit público de 8,51% a 5,3% do PIB, para chegar a 3% em 2013.

Este orçamento “vai convencer” os sócios europeus, assegurou o ministro espanhol, Luis María de Guindos.

Vários dirigentes europeus expressaram ao longo desta semana suas dúvidas e inquietações sobre a saúde das finanças e da economia da Espanha.

“A Espanha está em uma situação muito difícil”, assegurou o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn.

Em meio a tantas negociações difíceis, as nomeações de cargos-chave na União Europeia, desejados pela Espanha, foram adiadas.

O Eurogrupo decidirá em meados de abril quem ocupará a cadeira do Comitê Executivo do Banco Central Europeu (BCE), deixada vaga pelo espanhol José Manuel González Páramo, afirmou um diplomata. Tudo indica que o candidato de Luxemburgo Yves Mersch superará o espanhol Antonio Sáinz de Vicuña, atual diretor do serviço jurídico do BCE, para levar o cargo.

Neste caso, a Espanha poderá optar pela presidência do fundo de resgate ou pela presidência do Eurogrupo, embora esta, segundo fontes europeias, pareça destinada ao ministro alemão, Wolfgang Schäuble.

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