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EUA não aceitarão Coreia do Norte nuclear, diz John Kerry

Diplomata criticou a "retórica inaceitável" do governo comunista, mas deixou a porta para o diálogo aberta caso Pyogyang desista de seu programa atômico

O secretário de Estado americano John Kerry afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos não aceitarão a Coreia do Norte como uma “potência nuclear”. A declaração do diplomata é uma resposta à decisão do ditador norte-coreano Kim Jong-un de reativar todas as instalações atômicas do país, fechadas desde 2007 após um acordo internacional de desnuclearização.

“O que Kim Jong-un está fazendo é provocativo, perigoso e irresponsável. Os Estados Unidos não aceitarão a Coreia do Norte como uma potência nuclear”, frisou Kerry durante uma entrevista coletiva concedida ao lado do chanceler sul-coreano Yun Byung-se.

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Classificando como “inaceitável” a retórica norte-coreana, Kerry criticou as sucessivas ameaças de Pyongyang contra Washington, Seul e Tóquio e garantiu que os Estados Unidos farão todo o possível para se defender e defender os seus aliados na região. “Estamos prontos e somos capazes de fazer isso. E acredito que a Coreia do Norte sabe disto.”

Armamento nuclear – A decisão de reabrir as centrais atômicas evidencia a insistência do jovem ditador da Coreia do Norte em fazer com que o seu país obtenha armas atômicas, apesar de todas as resoluções da ONU que proíbem Pyongyang de desenvolver um programa nuclear. A medida também se junta à série de ameaças que o governo comunista tem feito contra os Estados Unidos e seus aliados na Ásia. Pyongyang começou a engrossar a retórica belicista no início de março, quando a ONU adotou novas sanções por causa da realização de um teste nuclear em fevereiro.

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Apesar da escalada de tensão, Kerry não fechou as portas para o diálogo. O secretário de Estado deixou claro que a crise atual chegará ao fim caso a Coreia do Norte desista de suas pretensões nucleares. “Os Estados Unidos acreditam que há um caminho muito simples para que a Coreia do Norte retorne à comunidade das nações”, destacou. “E esta opção consiste em iniciar negociações visando o fim do programa nuclear.”

Nações Unidas – Também na terça-feira, o sul-coreano Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, disse que a tensão nuclear na península coreana já havia ido “longe demais” e pediu diálogo entre Pyongyang e Washington. “Ameaças nucleares não são um jogo. A retórica agressiva e o exibicionismo militar só resultam em contra-ações, e alimentam medo e instabilidade”, afirmou Ban.

(Com agência France-Presse)