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EUA acabam com a proibição de transgêneros no Exército

Os militares poderão atuar abertamente e realizar procedimentos hormonais ou cirúrgicos por meio das facilidades médicas do Exército

O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira que retirou a proibição de recrutamento de transgêneros, com o argumento de que as Forças Armadas devem poder dispor dos soldados mais qualificados, independentemente de sua orientação sexual. Em entrevista coletiva no Pentágono, o secretário de Defesa americano, Ashton Carter, afirmou que já haver transexuais em serviço – embora não abertamente – e que a profissão militar deve estar disponível a todos os americanos.

A decisão segue a linha de mudanças que Carter vem conduzindo no Exército desde o ano passado, como a abertura de todos os postos militares para mulheres e a nomeação do primeiro secretário do Exército abertamente gay, Eric Fanning. Em 2015, o secretário de Defesa já havia demostrado sua intenção de acabar com a restrição a trangêneros e pediu que os militares começassem a analisar uma forma de levantar a proibição.

Atualmente, os americanos transgêneros que integram o Exército são obrigados a esconder informações sobre a vida privada para evitar a dispensa. Soldados homossexuais viveram a mesma situação até 2011, quando a regra conhecida como “não pergunte, não comente” foi banida.

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A liberação para transgêneros enfrentou resistências de oficiais de altos cargos, que expressaram preocupação com o que consideravam ser um “experimento social” que poderia atrapalhar a efetividade dos militares em combate. Em contraste, um estudo encomendado por Carter e finalizado em março mostrou que a mudança teria pouco custo e não faria nenhuma diferença em relação ao trabalho do Exército.

Com a mudança na permissão, o Pentágono deverá cobrir os custos dos militares que optarem pela cirurgia de mudança de sexo e tratamentos hormonais, o que acontece com qualquer outro tipo de procedimento médico. A pesquisa concluiu que se o Exército não realizasse tais medidas, a maior parte dos oficiais não buscaria ajuda externa e os índices de suicídio e abuso de substâncias químicas seriam mais altos.

De acordo com o relatório, existem cerca de 2.450 transgêneros em atividade militar nos Estados Unidos e, a cada ano, cerca de 65 devem pedir para realizar cirurgia, o que custaria entre 2,9 e 4,2 milhões de dólares ao Exército. Anualmente, o serviço militar americano gasta em média 6 bilhões de dólares para fins médicos,1% do orçamento de 610 bilhões.

(Com EFE)