Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Erro primário da Abin quase provoca crise com os EUA

Agentes brasileiros deixaram dupla de americanos perceberem que estavam sendo espionados

Por Da Redação 11 nov 2013, 09h03

Arapongas brasileiros que espionavam agentes americanos no Rio de Janeiro cometeram um erro primário e quase criaram uma crise diplomática entre Brasil e EUA, informa reportagem da Folha de S. Paulo desta segunda-feira. Em 2009, agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) monitoravam os americanos Alejandro Nuñez e Guillermo de las Heras, ambos ligados à CIA (agência americana de inteligência) e funcionários do consulado dos EUA no Rio. Os brasileiros deixaram os americanos perceberem que estavam sendo espionados – um erro considerado primário por agentes que trabalham com inteligência.

Numa operação de contrainteligência, os brasileiros passaram a seguir a rotina dos dois funcionários americanos. Em 2009, Nuñez e de las Heras perceberam que estavam sendo seguidos e, temendo um sequestro, procuraram o departamento de inteligência da Polícia Federal brasileira.

Leia também

Dilma diz que só viaja aos EUA se receber “desculpas” de Obama

Brasil investigou franceses por suspeita de sabotagem

Governo brasileiro espionou diplomatas estrangeiros

A PF então armou uma blitz para pegar os perseguidores dos dois americanos. A trapalhada foi desfeita logo na abordagem do carro que seguia Nuñez e de las Heras, quando os dois ocupantes do veículo revelaram ser agentes da Abin aos federais. Segundo a Folha, os dois arapongas foram conduzidos a uma delegacia, mas liberados após prestarem depoimento, sem serem enquadrados em nenhum crime.

O caso foi abafado pelo governo brasileiro, que temia uma crise diplomática com os EUA e também o possível acirramento de uma disputa entre a PF e a Abin. Na ocasião, as relações entre a agência e a Polícia Federal estavam tensas por causa da Operação Satiagraha – feita pela PF com o apoio de homens da Abin, algo considerado irregular. Após o incidente, Alejandro Nuñez e Guillermo de las Heras deixaram o Brasil.

Arapongas – Há uma semana, veio à tona a revelação que o governo brasileiro espionou diplomatas de três países em suas respectivas embaixadas e residências. Documento oficial da Abin detalha dez operações entre os anos de 2003 e 2004 e mostra que o governo monitorou funcionários de países como Irã e Rússia. O governo brasileiro também investigou agentes secretos franceses por suspeita de que eles pudessem estar envolvidos em sabotagem na base de lançamento de satélites de Alcântara, no Maranhão.

Continua após a publicidade

Publicidade