Dor nos trilhos
Um comboio que havia partido de Málaga a caminho de Madri descarrilou na altura da cidade de Adamuz, na Andaluzia
Os trens de alta velocidade são um dos orgulhos da Espanha, o segundo país mais visitado por turistas em todo o mundo, atrás apenas da França. No início da noite de domingo 18, contudo, uma tragédia fez frear o entusiasmo de correr em cima de trilhos. Um comboio que havia partido de Málaga a caminho de Madri descarrilou na altura da cidade de Adamuz, na Andaluzia. Do outro lado vinham os vagões que seguiam para Huelva. A colisão provocou ao menos 43 mortes, na triste contagem até quarta-feira 21. “Tivemos até que remover um cadáver para conseguir chegar a alguém com vida. É um trabalho difícil e complicado”, disse o chefe dos bombeiros. As equipes de resgate tiveram dificuldade, em decorrência dos destroços retorcidos, que impediram a passagem de equipamentos e pessoas. As investigações prosseguem, de modo a entender os motivos do desastre. O contato pode ter sido lateral, e não frontal, o que resultaria em ainda mais danos. A comoção deixou o país chocado, em três dias de luto oficial. Houve minutos de silêncio antes das partidas de futebol. O rei Felipe VI e a rainha Letizia, vestidos de preto, visitaram o local do horror para prestar solidariedade às famílias das vítimas e aos sobreviventes. Uma história, em especial, ganhou relevo e fez chorar, como se saída de um roteiro cinematográfico: uma menina de 6 anos foi encontrada descalça, entre os dormentes, uma hora depois do episódio. A criança — cujos pais, irmão e primo morreram — escapou por uma janela quebrada. Levará tempo, muito tempo, até que tantas cicatrizes sejam curadas.
Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2026, edição nº 2979







