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Dilma diz que só viaja aos EUA se receber “desculpas” de Obama

A presidente afirmou que se sentiria constrangida caso novos documentos de Snowden vazassem no período em que ela estivesse em Washington

Por Da Redação 6 nov 2013, 16h47

A presidente Dilma Rousseff afirmou que não fará nenhuma viagem aos Estados Unidos enquanto o presidente americano, Barack Obama, não emitir um pedido de desculpas público pelas denúncias de espionagem feitas a partir dos documentos vazados pelo ex-técnico de inteligência Edward Snowden. Em entrevista ao Grupo RBS nesta quarta-feira, Dilma afirmou que se sentiria constrangida caso novos arquivos fossem divulgados durante o período em que ela estivesse em Washington. Além disso, a presidente rechaçou qualquer semelhança entre os métodos adotados pela Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) dos Estados Unidos e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que teria espionado agentes secretos franceses por suspeitas de sabotagem.

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“Eu iria viajar. A discussão que derivou das denúncias nos levou a fazer a seguinte proposta aos EUA: eles teriam de se desculpar pelo que aconteceu e dizer que não aconteceria mais. Não foi possível chegar a esse termo”, afirmou Dilma. A presidente havia sido convidada pela administração Obama para uma viagem de estado em 23 de outubro, mas declinou do convite ao tomar conhecimento de que os serviços secretos americanos teriam espionado suas comunicações pessoais. “Ninguém sabe o que o Snowden tem. Ninguém diz o que ele tem. Acho que nem os EUA sabem o que ele levou. Eu e o Obama estaríamos submetidos ao constrangimento de uma nova denúncia.”

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Sobre a denúncia dos EUA terem espionado as comunicações da Petrobras, Dilma eximiu Obama de qualquer responsabilidade, mas repudiou os métodos que foram usados pela NSA. “Eu acho que o presidente Obama ficou bastante constrangido. Não acho que possa se atribuir a ele a responsabilidade por não termos feito a viagem”, disse. “É uma questão política entre dois países. Não podemos conceber que o Brasil não tenha o respeito a sua soberania. Espionagem industrial não pode ter guarida entre nações civilizadas. Fico um pouco indignada porque acho que isso não é civilizado. Nós escutamos sempre que nos EUA nasceram os direitos civis. E é verdade. É um país que tem essa tradição escrita na sua fundação.”

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Além de ter reclamado novamente dos serviços de inteligência americanos, Dilma também defendeu a Abin das suspeitas levantadas nesta semana pelo jornal Folha de S. Paulo. Diplomatas estrangeiros de três países, agentes secretos franceses e órgãos ligados à embaixada da França teriam sido espionados após o governo brasileiro suspeitar que uma “rede de espionagem” da DGSE (Direção-Geral de Segurança Externa, a agência de inteligência francesa) fora montada no Maranhão e em São Paulo. “Um Estado tinha de se informar sobre o outro. Isso é uma coisa. Outra coisa bem diferente é você violar a soberania e violar direitos humanos”, disse Dilma. “E acho que não se pode comparar com o que a Abin fez em 2003 e 2004. Segundo eles, era contra inteligência, porque achavam que tinham interferências em negócios privados, negócios públicos no Brasil. Não levou a nenhuma consequência de espionar ninguém na sua privacidade.”

Recentemente, o Brasil apresentou junto da Alemanha uma resolução para limitar a espionagem americana na Comissão de Direitos Humanos da ONU. Novos documentos vazados por Snowden, no entanto, apontam que os próprios países europeus que reclamaram dos métodos da NSA também mantêm programas de espionagem. Os serviços secretos de Alemanha, França, Espanha e Suécia teriam trabalhado em conjunto com a agência da Grã-Bretanha para criar uma rede de coleta de dados provenientes de comunicações telefônicas e de internet no continente.

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