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Datas: Johan Hultin e Hargus “Pig” Robbins

O cientista e o pianista

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2022, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 12h42
  • “Ela estava com um lindo vestido azul. Quando morreu, eles simplesmente a pegaram e a puseram no túmulo. Tinha cabelos pretos trançados e uma fita vermelha a prendê-los. Foi uma cena bem tocante.” Foi assim, em 1951, que o jovem patologista americano Johan Hultin descreveu o corpo que tirara do gelo do Alasca, numa vila chamada Brevig Mission. A menina era uma das 72 pessoas do lugar que tinham morrido entre 15 e 20 de novembro de 1918, durante a pandemia de gripe espanhola. Apenas oito moradores sobreviveram ao surto. Hultin levou as amostras preservadas para um laboratório da Universidade de Iowa — o sequenciamento genético do vírus, o influenza, permitiu identificar a capacidade de reprodução e letalidade do microrganismo e representou um salto científico que nos traz aos dias de hoje, com a Covid-19.

    O vírus, 25 vezes mais mortal que o comum da gripe, matou cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Em fevereiro de 2002, já alcunhado de “Indiana Jones” da ciência, Hultin diria uma frase premonitória: “É absolutamente certo que outra pandemia virá, mas não sabemos de que forma será. A questão é: como podemos ser avisados?”. Hultin morreu em 22 de janeiro, aos 97 anos, em Walnut Creek, na Califórnia.

    Um piano ao cair da tarde

    ROCK E BALADAS - O tecladista americano: parceiro de Dylan em Blonde on Blonde -
    ROCK E BALADAS – O tecladista americano: parceiro de Dylan em Blonde on Blonde – (Wade Payne/Invision/AP/.)

    No início dos anos 1960, ao recriar a música folk, aplicando a ela pitadas do rock, com guitarra e teclado, Bob Dylan importou os serviços do pianista Hargus “Pig” Robbins, que tinha longa história nos estúdios e palcos de Nashville, o epicentro do country. Robbins — cego, afeito a linhas melódicas adesivas — foi um dos responsáveis pelo tom mágico de Blonde on Blonde, álbum de Dylan lançado em 1966. Soou estridente em Ray Day Women #12 & 35 e lírico em baladas elegíacas como Just Like a Woman e Sad-Eyed Lady of the Low­lands. Morreu em 30 de janeiro, aos 84 anos, em Franklin, no Tennessee, de causas não reveladas pela família.

    Publicado em VEJA de 16 de fevereiro de 2022, edição nº 2776

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