Cuba: sem luz no fim do túnel
Ilha mergulha no caos com depredação de prédio partidário, apagões e fome. Presidente cubano dialoga com Trump em meio à crise
Na ilha que já foi o farol da esquerda neste canto do mundo, cubanos enraivecidos, no fim de semana, invadiram e depredaram a sede do Partido Comunista em Morón, a 400 quilômetros de Havana. A cena, raríssima, espelha o grau de insatisfação popular com o governo que, há quase sete décadas no poder, não foi capaz de se precaver contra o estado de penúria em que o país se encontra. A crise só fez aumentar na segunda-feira 16, quando Cuba voltou a mergulhar na escuridão — o sexto apagão nacional no último ano e meio. O sistema elétrico, uma rede obsoleta de termelétricas interconectadas instalada quando a extinta União Soviética resolvia os problemas locais, pode levar dias para ser recuperado. À noite, no calçadão à beira-mar da capital, o Malecón, moradores aproveitaram a brisa para se refrescar e tentar pescar algum peixe, garantindo o jantar em meio à escassez de alimentos, acelerada pela crise energética. Embora medidas de austeridade, como cortes diários de luz, já estivessem em vigor, a situação da ilha, dependente do petróleo da Venezuela, se deteriorou com a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e a ameaça de sanções contra qualquer país que tentasse repor o fornecimento. Pressionado de todos os lados, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, confirmou a abertura de conversas com representantes de Donald Trump, que, dia sim, outro também, afirma sem meias-palavras que vai intervir no país. “Acho que vou ter a honra de ser o presidente que tomará as rédeas em Cuba”, gabou-se ele, em pleno apagão. No ano do centenário de nascimento de Fidel Castro, os cubanos não têm nada a comemorar.
Publicado em VEJA de 20 de março de 2026, edição nº 2987





