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Conheça o brasileiro que parou ataque com faca na Irlanda

O carioca Caio Benício, que trabalha como entregador, testemunhou crime e pulou da moto para derrubar agressor em Dublin; polícia investiga motivações

Por Da Redação
Atualizado em 24 nov 2023, 16h52 - Publicado em 24 nov 2023, 16h51

Um ataque a faca em Dublin, capital da Irlanda, deixou cinco pessoas feridas, entre elas três crianças, na porta de uma escola no centro da cidade na quinta-feira 23. Do trágico incidente, saiu um improvável “herói”, nas palavras do primeiro-ministro do país, Leo Varadkar. O agressor foi interrompido por civis, e quem liderou a iniciativa foi o carioca Caio Benício, 43.

Morador de Dublin, Caio trabalha como entregador, e passava de moto no local do ataque e quando viu o que parecia ser uma briga. Decidiu parar.

“Quando eu vi a faca, joguei a moto no chão e fui para cima do cara que estava esfaqueando a criança de cinco anos no peito. Nem pensei em nada, tirei meu capacete, dei uma porrada na cabeça dele e derrubei o cara”, disse ele em áudio compartilhado com amigos por um aplicativo de mensagens, de acordo com a Rádio França Internacional.

Nos mesmos áudios, Caio contou que estava tão nervoso quando foi levado à delegacia para prestar depoimento que seu corpo tremia.

Após o ataque, Dublin viu eclodir um protesto no centro da cidade, o mais violento em décadas na capital irlandesa. Uma multidão de cerca de 500 pessoas ateou fogo a um ônibus de dois andares, bem como a um carro da polícia, além de quebrar janelas de um hotel e de uma unidade do McDonald’s e de saquear lojas.

Os manifestantes gritavam cânticos com mote anti-imigração, motivados por uma declaração da polícia afirmando que o ataque a faca poderia estar relacionado com terrorismo. Embora autoridades não tenham divulgado a nacionalidade do agressor, rumores nas redes sociais o atribuíram a um cidadão estrangeiro.

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A multidão que ocupou a área onde ocorreu o incidente usou gritos como “tire-os daqui”, referindo-se a imigrantes. Muitos atiraram objetos contra a tropa de choque, inclusive usando disparos de fogos de artifício. O chefe da polícia irlandesa alertou que grupos de extrema direita podem continuar agindo no país.

Tumultos como esses são quase sem precedentes em Dublin. Não há partidos ou políticos eleitos de extrema direita na capital irlandesa. No entanto, pequenos protestos anti-imigração aumentaram no último ano, em paralelo ao disparo de pedidos de asilo político no país em plena crise econômica.

Também nas mensagens por áudio, o brasileiro Caio contou aos amigos que o autor do ataque era “um maluco, não terrorista”. A polícia ainda investiga a motivação do crime.

E foi justamente um estrangeiro que conseguiu evitar que a tragédia fosse ainda maior. Ao jornal local The Journal, o entregador disse que os manifestantes “odeiam imigrantes”.

“Bem, eu sou um imigrante e fiz o que pude para tentar salvar a menininha”, disse ele, referindo-se a uma jovem de 5 anos que está internada no hospital em estado grave, uma das feridas no ataque. “Se as vítimas sobreviverem, serei grato por ter estado no lugar certo, na hora certa”, completou.

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Além da menina, uma mulher na casa dos 30 anos também está no hospital com ferimentos graves. As outras duas crianças, um menino de 5 e uma menina de 6, sofreram danos mais brandos – ele já recebeu alta.

Um homem de quase 40 anos, também em tratamento para ferimentos graves, foi preso como o único suspeito.

O capacete do brasileiro foi apreendido pela polícia como prova das investigações, segundo a Rádio França Internacional. Caio, então, pediu outro emprestado para continuar as entregas do dia.

Uma vaquinha virtual organizada por moradores de Dublin para “comprar um pint para o Caio” – uma cerveja de 600ml, no bom português – já chegou a 234.319 euros (R$ 1,25 milhão), doados por mais de 22,3 mil pessoas.

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