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Confrontos violentos em Burundi deixam mais de 130 mortos

Rebeldes voltaram a protestar contra o terceiro mandato do presidente Pierre Nkurunziza. Exército reagiu e cadáveres foram espalhados pela capital Bujumbura

O Burundi registrou nas últimas 48 horas mais de 130 mortes em ataques e confrontos violentos no país africano mergulhado em profunda crise política. Na sexta-feira, 87 pessoas, sendo 79 rebeldes e oito soldados, morreram durante e depois dos ataques coordenados contra três campos militares, segundo informou o exército. Neste sábado, dezenas de corpos foram encontrados na capital Bujumbura.

Burundi está mergulhado numa grave crise desde abril, quando o presidente Pierre Nkurunziza anunciou sua candidatura a um terceiro mandato, conquistado em julho. Opositores consideram que a medida feriu a Constituição e o Acordo de Arusha que pôs fim à guerra civil(1993-2006).

Os últimos combates começaram às 4h da manhã (horário local) da madrugada de sexta-feira, quando homens armados atacaram o campo de Ngagara e o ISCAM (Instituto Superior de Comandantes Militares). Já nesta sábado, habitantes de Bujumbura ficaram horrorizados ao ver dezenas de cadáveres espalhados pelas ruas dos bairros conhecidos por protestar contra o presidente Nkurunziza. Do outro lado da cidade, partidários do regime comemoravam o massacre.

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Foram encontrados os corpos de ao menos 40 jovens, segundo informaram testemunhas entrevistadas por telefone. Algumas pessoas disseram que o número de mortos é muito maior. Em vários bairros, moradores acusaram a polícia de ter prendido e executado deliberadamente vários jovens. Em Nyakabiga, no centro de Bujumbura, jornalistas e várias testemunhas relataram ter visto 20 corpos de pessoas mortas a tiros, alguns a curta distância.

“Algumas dessas crianças tiveram seus rostos completamente desfigurados, enquanto em outros, o tiro entrou pela parte superior do crânio, (…), é um horror absoluto, aqueles que fizeram isso são criminosos de guerra”, criticou uma jornalista do Burundi, sob condição de anonimato.

“A maioria dos mortos é de jovens pais de família que estavam em casa, foi uma carnificina, não há outra palavra”, declarou indignado um morador da Nyakabiga. Todos asseguram que a maioria das pessoas foram mortas no final da tarde de sexta-feira e na madrugada deste sábado, muito tempo depois dos ataques aos acampamentos militares.

O porta-voz do exército, o coronel Gaspard Bratuza, explicou no Twitter que um “balanço definitivo” das operações em Bujumbura seria comunicado “no decorrer do dia”. Um porta-voz do exército evocou sexta-feira à tarde um registro de pelo menos 12 agressores mortos e outros 20 capturados, e cinco soldados feridos durante os ataques simultâneos a três acampamentos militares.

Uma fonte policial assegurou que as vítimas eram insurgentes que dispararam contra a polícia e o exército, que responderam para se defender. E acrescentou que o balanço de mortos é muito superior a 40 pessoas. A Cruz Vermelha não recebeu autorização para se dirigir aos locais.

(com agência AFP)