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‘Comecei a reconsiderar minha permanência no Japão’

Britânico que vive em Tóquio há nove meses descreve os aterradores 2 minutos de duração do tremor principal desta sexta-feira

Por Nathalia Goulart 11 mar 2011, 15h06

O intenso terremoto seguido de tsunami que atingiu grande parte do território do Japão nesta sexta-feira já levou ao menos um estrangeiro a repensar sua permancência no país asiático. Vivendo em Tóquio há nove meses, o analista de sistemas britânico Mark Bell, de 34 anos, pela primeira vez sentiu o chão sob seus pés tremer com tanta intensidade.

“Confesso que, depois dos tremores de hoje, comecei a reconsiderar minha permanência no Japão”, diz Bell. “Os tremores estão acontecendo há dias, mas nenhum foi tão intenso quanto o desta tarde. Minha casa não foi destruída e eu estou a salvo, mas sentir o chão balançar dessa forma assusta qualquer um.”

No momento do tremor, por volta das 14h30, no horário local, Bell trabalhava em um escritório localizado no sexto andar de um edifício da região central de Tóquio. “Minha primeira reação foi me esconder debaixo da mesa, em busca de abrigo. Permaneci ali por cerca de dois minutos, tempo que durou o tremor mais forte”, diz.

Em seguida, o britânico correu pela escada de incêndio, desceu os seis andares e se dirigiu para uma quadra descoberta, pertencente a uma escola vizinha. Outros colegas de trabalho fizeram o mesmo. Lá, o grupo sentiu os tremores secundários, que quase 12 horas depois ainda são percebidos pela cidade.

“Quem vive em um país como este está habituado com os abalos. Por isso, meus companheiros não se intimidaram nos primeiros segundos do terremoto. A força e a insitência dos abalos, porém, os fizeram perceber a gravidade da situação”, diz.

Bell e os companheiros foram orientados a voltar para suas casas. Muitos não puderam seguir a orientação, pois o transporte público na cidade foi interrompido.

Ao chegar a seu apartamento, o britânico percebeu que alguns objetos haviam sido danificados pelo tremor. Nenhuma ocorrência grave, contudo – as construções locais são preparadas para resistir a terremotos. Imediatamente, Bell iniciou contatos telefônicos com a família, na Grã-Bretanha, e com a mulher, Renata, que passa férias no Brasil.

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