China mobiliza tropas, aviões e navios em treinamento de guerra contra Taiwan
Exército chinês faz 'aviso severo' contra o separatismo e chama presidente da ilha democrática e autogovernada de 'parasita'

A China realizou exercícios militares nas costas norte, sul e leste de Taiwan nesta terça-feira, dia 1º, caracterizando-os como um “aviso severo” contra o separatismo. O gigante asiático também chamou o presidente taiwanês, Lai Ching-te, de “parasita”, ao passo que a ilha respondeu enviando navios de guerra para as águas onde a Marinha chinesa faz o treinamento de guerra. Taipé tem um governo próprio e democrático, mas a China fala que uma “reunificação” é inevitável.
Os exercícios ocorrem após uma visita do Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, à Ásia, durante a qual ele criticou Pequi repetidamente.
Ameaça crescente
Os militares chineses mobilizaram treze navios, 71 aeronaves e soldados para praticar o bloqueio da ilha, ataques a alvos terrestres e marítimos e interceptação aérea. O objetivo é “testar a coordenação das forças em combate”, disse o Comando do Teatro Oriental de Pequim em um comunicado.
O exército divulgou uma série de vídeos de propaganda após o anúncio do exercício, retratando navios de guerra e caças chineses cercando Taiwan e uma salva de mísseis lançada contra a capital. Os títulos dos vídeos eram “Aproximando-se”, “Atirar”, “Subjugue demônios e derrote males”, e “Avanço Envolvente”.
China’s just launched massive military drills around Taiwan this morning – Army, navy, air force, and rocket units deployed
The PLA Eastern Theater Command statement:
“The Eastern Theater Command spokesperson, Senior Colonel Shi Yi, said that starting from April 1, the Eastern… pic.twitter.com/0TcPQwu7Rr
— Indo-Pacific News – Geo-Politics & Defense (@IndoPac_Info) April 1, 2025
O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que os treinos “são ações legítimas e necessárias para defender a soberania nacional e salvaguardar a unidade nacional”.
“A reunificação da China é uma tendência imparável — vai acontecer e deve acontecer”, disse Guo Jiakun, um porta-voz da pasta, em uma entrevista coletiva nesta terça-feira.
“Encrenqueira”
Em maio passado, três dias após a posse de Lai, as forças chinesas encenaram jogos de guerra para simular a tomada de controle total de áreas a oeste da primeira cadeia de ilhas entre a China continental e Taiwan. Agora, os militares o chamaram de “parasita” em um vídeo em inglês.
O governo de Taiwan condenou os exercícios. Pequim é “amplamente reconhecida pela comunidade internacional como uma encrenqueira”, disse o gabinete presidencial, reiterando sua capacidade para se defender. Taipé rejeita as reivindicações de Pequim, defendendo que apenas o povo da ilha pode decidir seu futuro.
O porta-voz do Ministério da Defesa Taiwanês, Sun Li-fang, afirmou que as forças armadas da ilha elevaram seu nível de prontidão para garantir que a China não “transforme os exercícios em combate real” e “lance um ataque repentino contra nós”.
Segundo a pasta, o grupo de porta-aviões Shandong da China entrou na área de resposta da ilha na segunda-feira, acrescentando que despachou aeronaves e navios militares e ativou sistemas de mísseis terrestres em resposta.
O Instituto Americano em Taiwan, que atua como embaixada americana na ilha, disse que os Estados Unidos continuarão a apoiar o território.
“Mais uma vez, a China mostrou que não é um ator responsável e não tem problemas em colocar a segurança e a prosperidade da região em risco”, disse um porta-voz em comunicado.