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Chile propõe substituição da Unasul por novo bloco, o Prosul, de direita

Colômbia aderiu à proposta; respaldo dos demais países é esperado pelo governo chileno, que pretende organizar reunião de presidentes em março

Por Da Redação - Atualizado em 18 fev 2019, 19h53 - Publicado em 18 fev 2019, 19h37

O governo de direita do Chile decidiu promover a criação do Prosul, um novo organismo sul-americano para substituir a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), inativa há três anos, informou nesta segunda-feira, 18, o presidente chileno, Sebastián Piñera.

A criação de um novo organismo regional começou a ganhar força na semana passada durante uma reunião sobre “integração sul-americana”, em Santiago, na qual estiveram presentes representantes de todas as nações da região, exceto a Venezuela. Na ocasião, o chanceler chileno, Roberto Ampuero, lançou a ideia.

“Nossa proposta é criar uma nova referência na América do Sul para a coordenação, cooperação e integração melhores, livres de ideologias, abertas a todos e 100% comprometida com a democracia e os direitos humanos”, informou Piñera em sua conta oficial no Twitter. “A Unasul está há três anos paralisada e fracassou por excesso de ideologia.”

O Prosul poderá tomar ações diretas sobre a crise política, econômica e social da Venezuela – país que não fez parte de nenhuma das negociações para a entrada em vigor do novo organismo. Em essência, será uma versão do projeto da Unasul conduzida pela visão de direita da maioria dos atuais governos sul-americanos.

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Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru suspenderam, no ano passado, suas participações na Unasul, organismo lançado em 2008 por iniciativa dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez. O organismo assumira compromissos de atuar em projetos de integração física regional e de cooperação.

Mas o bloco tornara-se, no campo político, uma alternativa regional para a Organização dos Estados Americanos (OEA), onde os Estados Unidos têm assento e influência direta. A maioria dos 12 países da Unasul era governada por partidos de esquerda na época de sua fundação.

A Unasul caiu no ostracismo desde as mudanças de governos da região em meados desta década. Em janeiro de 2017, a Venezuela bloqueou a nomeação do ex-senador argentino José Octavio Bordón como novo secretário-geral da Unasul, em substituição ao colombiano Ernesto Samper, cujo mandato se concluía naquele mês.

Apesar da crise do bloco, no ano passado foi inaugurado o Parlamento da Unasul, cuja sede construída na Bolívia custou 61,7 milhões de dólares. Esse Legislativo regional, porém, está inativo.

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Em agosto passado, o presidente colombiano, Iván Duque, anunciou a saída de seu país da Unasul, à qual classificou como “cúmplice da ditadura da Venezuela”.

Os presidentes da Colômbia e do Chile são os incentivadores do novo organismo regional. Os demais presidentes sul-americanos ainda avaliam sua eventual adesão. Caso concordem, haverá uma reunião de cúpula planejada para fins de março no Chile.

 

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