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Chávez e Ahmadinejad declaram união contra democracia

Ditadores se chamam de “irmãos” e anunciam acordos de cooperação

Por Da Redação - 20 out 2010, 18h43

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quarta-feira ao venezuelano Hugo Chávez que “juntos eles podem derrotar seus inimigos comuns”. As declarações são bravatas de dois ditadores, em mais uma provocação contra governos ocidentais.

Encerrando sua visita de dois dias ao Irã, Chávez disse que ele e Ahmadinejad assinaram vários acordos de cooperação industrial. O caudilho também condenou as ameaças militares dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã.

“Devo usar a oportunidade para condenar essas ameaças militares que estão sendo feitas contra o Irã”, afirmou em uma entrevista coletiva. “Sabemos que eles jamais conseguirão restringir a Revolução Islâmica. Sempre estaremos juntos, e não só vamos resistir como também seremos vitoriosos lado a lado”, acrescentou.

Tanto a visita de Chávez, quanto a viagem de Ahmadinejad ao Líbano – onde o ditador foi recebido pelo grupo radical xiita Hezbollah -, são eventos destinados a mostrar a Washington que o Irã ainda tem amigos dispostos a confrontar os interesses norte-americanos.

Los hermanos – Os dois governos têm mais do que o antiamericanismo em comum. Ambos são liderados por ditadores, que tentam cercear a imprensa em seu país, e são membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

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Mostrando sua ambição de representar países em desenvolvimento que se sentem oprimidos, Ahmadinejad afirmou que Irã e Venezuela são parte de uma frente revolucionária que se estende da América Latina “até o Leste da Ásia”.

“Se um dia meu irmão Chávez, eu e algumas outras pessoas estivermos sozinhos no mundo, temos uma longa fila de pessoas e funcionários revolucionários lado a lado”, afirmou. “Os inimigos das nossas nações irão embora um dia. Esta é a promessa de Deus, e a promessa de Deus será cumprida”, afirmou o presidente iraniano, que defende a destruição de Israel.

Ameaça nuclear – Antes de chegar ao Irã, Chávez passou pela Rússia, onde assinou um acordo para a construção da primeira usina nuclear venezuelana, fato que gerou temores em Washington.

O Irã também desperta desconfiança nas potências ocidentais, que o acusam de tentar desenvolver armas atômicas secretamente. Teerã nega.

Em 9 de junho, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) aprovou uma quarta rodada de sanções contra a República Islâmica para impedir que o país pudesse avançar em suas ambições nucleares. A medida foi tomada logo após o Brasil mediar junto com a Turquia um acordo em que o país dos aiatolás trocaria urânio pouco enriquecido por combustível para reatores de pesquisa. O pacto, contudo, foi considerado insuficiente por EUA e aliados.

(Com Reuters)

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