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Chacal nega envolvimento em atentados e espera veredicto

O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, o Chacal, disse, nesta quinta-feira que não teve nada a ver com os quatro atentados cometidos na França nos anos 1980, dos quais é acusado pelo Tribunal Penal Especial de Paris, que emitirá o veredicto esta noite.

“Não há nada que me vincule a esses quatro atentados”, garantiu ao tomar a palavra. Carlos, símbolo da luta armada pró-palestina dos anos 1970 e 1980, denunciou o “dossiê completamente manipulado” elaborado pelo juiz Jean-Louis Brugière.

No discurso errático e cheio de ironias, referências históricas e alfinetadas aos promotores e advogados das partes civis, Carlos se apresentou como um revolucionário e disse que, além dos atentados pelos quais é processado, assume a “responsabilidade política e militar de todos os atentados cometidos pela Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP)”.

“Politicamente, assumo a responsabilidade por todas as ações da luta palestina” e “os palestinos não vão dizer o contrário”, afirmou em sua intervenção que durava quatro horas, organizada com base em anotações de um caderno, feitas durante todo o processo.

Depois de sua intervenção, o júri deve se retirar para deliberar, antes de pronunciar o veredicto, aguardado para esta noite.

Na manhã de quinta-feira, o tribunal que julga seu caso desde 7 de novembro escutou a defesa de sua advogada Isabelle Coutant-Peyre, depois de ouvir na véspera as alegações de outro advogado Carlos, Francis Vuillemin.

Coutant-Peyre, com quem Carlos se casou em 2001, segundo a lei islâmica, religião do venezuelano, o apresentou como vítima de um processo político.

“Um processo político buscado nos papéis do serviço da inteligência” dos países ex-comunistas da Europa Oriental para construir uma acusação de 80 volumes que parece “um monstro fabricado e inflado” baseado em documentos fotocopiados, sem os originais, argumentou.

Na quarta-feira, Francis Vuillenim pediu que o tribunal ousasse absolver seu cliente dos quatro atentados atribuídos a ele.

O defensor apoiou-se na “ausência radical de confiabilidade” dos arquivos dos serviços secretos dos antigos países comunistas da Europa Oriental, usados na instrução para ilustrar o suposto envolvimento de Carlos nos atentados.

Nessa linha, Carlos perguntou nesta quinta-feira: “sabem o que significam as notas da Stasi (o serviço secreto da República Democrática Alemã)? Não significam nada”.

Depois do primeiro processo em 1997, Carlos, o Chacal, cumpre pena de cadeia perpétua com 18 anos de cumprimento obrigatório pelo assassinato de três homens, dois deles, policiais, em julho de 1975 em Paris.