Bolsonaro diz que pediu para encontro da ONU sobre clima não ser no Brasil
Presidente eleito acusou grupo de negociar tema que pode prejudicar a soberania do país na Amazônia e voltou a falar em rompimento com o Acordo de Paris
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, admitiu nesta quarta-feira, 28, a responsabilidade pela desistência do Brasil em sediar a COP 25, a edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas agendada para novembro de 2019. Alegou divergência em uma questão supostamente relativa à soberania da Amazônia brasileira e disse não querer romper com o Acordo de Paris em um evento organizado no próprio Brasil.
Em outubro passado, o Itamaraty havia anunciado a escolha do Brasil como sede do evento como a confirmação do “papel de liderança mundial do país em temas de desenvolvimento sustentável”. O futuro governante, entretanto, já havia anteriormente se manifestado em favor da retirada do país do Acordo de Paris e das negociações subsequentes da COP.
Bolsonaro atribui à COP a discussão de um projeto que não está em sua pauta e que nunca foi discutido neste fórum. Trata-se da criação do Corredor Ecológico Andes, Amazônia, Atlântico – também conhecido como Triplo A ou apenas AAA – em parcelas dos territórios do Brasil e de outros sete países sul-americanos.
“Houve participação minha nesta decisão. Eu recomendei ao nosso futuro ministro (das Relações Exteriores, embaixador Ernesto Araújo) para que se evitasse a realização desse evento aqui no Brasil”, afirmou na sede do governo de transição, em Brasília.
“Até porque, eu peço que vocês nos ajudem, está em jogo o Triplo A nesse acordo. É uma faixa que pega os Andes, a Amazônia e o Atlântico, de 136 milhões de hectares, ao logo das calhas do Solimões e do Amazonas que poderá fazer com que percamos a nossa soberania nessa área”, completou Bolsonaro.
A proposta original de criação desse corredor, para a proteção de 309 áreas protegidas e 1.199 terras indígenas, é da Fundação Gaia Amazonas, com sede em Bogotá, na Colômbia. Várias organizações não-governamentais ambientalistas apoiam a ideia e gostariam de vê-la tratada por um foro internacional.
A COP, entretanto, não tem a pretensão de tratar de questões que firam a soberania de qualquer dos países das Nações Unidas. Seu objetivo é alcançar acordos em torno de compromissos de redução de emissões de gases do efeito estufa para impedir que a temperatura do planeta suba mais do que dois graus Celsius até o final do século.
Bolsonaro, entretanto, não parece ter sido informado desse fato. “Eu não quero anunciar uma possível ruptura dentro do Brasil”, acrescentou, referindo-se ao provável rompimento com o Acordo de Paris, celebrado na COP 21, em dezembro de 2015.
Bolsonaro ainda reclamou dos custos “bastante exagerados, tendo em vista o déficit que nós já temos no momento”, de um evento como a COP 25. Também rechaçou os estudos que apontam a expansão do desmatamento, especialmente na região da Amazônia, dizendo ser o Brasil o país que “mais preserva o meio ambiente” do mundo.
Ministro indefinido
Bolsonaro frustrou os que esperavam o anúncio, nesta quarta-feira, do ministro de Meio Ambiente de seu governo, como ele prometera ontem. Os nomes do engenheiro agrônomo Xico Graziano, ex-integrante do PSDB, e do advogado Ricardo Salles, um dos criadores do Movimento Endireita Brasil (MEB), estão ainda em avaliação do círculo mais próximo do presidente eleito.
A demora na indicação, segundo o próprio Bolsonaro, está “na escolha de um nome que faça uma política de verdade para o meio ambiente e que defenda os interesses nacionais”. Em seu arrazoado, o presidente eleito dissera que o agronegócio está “sufocado” por questões ambientais.
Psol aciona Nikolas na PGR após bolsonarista sugerir sequestro de Lula
Captura de Maduro: ministro da Defesa da Venezuela afirma que EUA mataram seguranças
Maduro buscou rota de fuga no Leste Europeu; Rússia e China recalculam apoio após ação dos EUA
Trump afirma que vice de Maduro coopera, mas número dois do chavismo exige libertação do presidente
Venezuela ordena prisão de ‘todos’ os americanos envolvidos em captura de Maduro







