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Bo Xilai não colabora com investigação e faz greve de fome

Segundo fontes da Reuters, seu julgamento só deve começar a partir de março

Por Da Redação 21 fev 2013, 10h51

O ex-dirigente comunista chinês Bo Xilai se recusa a cooperar com uma investigação do governo a seu respeito e tem realizado greves de fome que o obrigaram inclusive a ser hospitalizado, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Quase um ano depois de Bo cair em desgraça em consequência das acusações de corrupção, abuso de poder e assassinato, o governo ainda não diz quando ele deverá ser julgado, e nem divulgou acusações formais.

Bo foi exonerado no ano passado do seu cargo de chefe do Partido Comunista na cidade de Chongqing (sudoeste), depois do assassinato de um empresário britânico – crime pelo qual a mulher dele já foi condenada. Antes disso, o político, de 63 anos, era amplamente cotado para assumir um cargo no mais alto escalão no regime comunista.

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Em declarações divulgadas pela agência oficial de notícias Xinhua, o Partido Comunista tem acusado Bo de corrupção e de manipular as leis para acobertar o envenenamento do empresário Neil Heywood. Duas fontes independentes, relacionadas à família de Bo, disseram que o julgamento só deverá começar a partir de março, já que ele estaria sem condições físicas.

“Ele esteve em greve de fome duas vezes e foi alimentado à força”, disse uma fonte à Reuters, pedindo anonimato. Não ficou clara a duração desses protestos. “Não foi torturado, mas adoeceu e foi levado a um hospital de Pequim para tratamento”, disse a fonte, que não quis dar detalhes sobre o estado de saúde de Bo ou seu paradeiro. “Ele se recusou a cooperar”, acrescentou a fonte. “Não respondeu às perguntas, bateu o punho na mesa e disse (aos investigadores) que eles não estavam qualificados para interrogá-lo, e que fossem embora.”

Uma segunda fonte confirmou que Bo fez greve de fome e também disse que ele se recusava a se barbear em protesto contra o que considera um tratamento injusto. “Sua barba está longa, até a altura do peito”, disse a fonte. Sua família não foi localizada. O governo não quis comentar o caso, assim como um dos seus advogados, Li Guifang. A Reuters não conseguiu localizar o segundo advogado, Wang Zhaofeng.

Corrupção – O adiamento do julgamento permite que o processo não ofusque a etapa final da transição política que resultará na ascensão de Xi Jinping ao cargo de presidente, durante a sessão parlamentar anual que começa em 5 de março. Desde novembro, Xi já é o dirigente máximo do Partido Comunista e das Forças Armadas e faz do combate à corrupção uma das suas prioridades, dizendo que ninguém, por mais graduado que seja, está acima da lei. Ele já disse que a sobrevivência do PC estará em xeque se a questão da corrupção não for enfrentada.

(Com agência Reuters)

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