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Ataques a xiitas matam pelo menos 68 pessoas no Iraque

Só em dois bairros de Bagdá, quatro atentados a bomba mataram mais de 24

Por Da Redação 5 jan 2012, 09h47

Ataques a xiitas mataram pelo menos 68 pessoas e deixaram dezenas de feridos no Iraque nesta quinta-feira, segundo as autoridades locais. Os atentados na capital iraquiana foram os mais violentos desde as explosões que mataram 67 pessoas em 22 de dezembro, expondo o crescente clima de tensão resultado da crise política entre xiitas e sunitas deflagrada na véspera da retirada das tropas americanas do país.

Na explosão mais violenta desta quinta, 44 pessoas morreram e 88 ficaram feridas em um ataque contra um grupo de peregrinos xiitas perto de Nassiriyah, no sul do Iraque, segundo um comunicado postado no site oficial da província de Zi Qar.

De acordo com a nota, o maior número de mortos foi registrado na cidade de Batha, onde uma bomba explodiu matando 38 pessoas, incluindo um miitar do exército. Os peregrinos caminhavam para a cidade de Kerbala para celebrar o Arbain, luto religioso xiita que recorda a morte do imã Hussein em Kerbala.

O ataque aconteceu horas depois de uma série de atentados com bomba nos dois principais bairros xiitas de Bagdá, Kazimiya, onde fica o mausoléu do sétimo imã, Musa al Kadum, e Sadr City, o maior bairro xiita da capital. Ao menos 24 pessoas morream nas duas localidades.

Em Kazimiya, dois automóveis repletos de explosivos foram detonados em cruzamentos próximos e deixaram 15 mortos e 31 feridos, segundo o Ministério do Interior. Em Sadr City, uma moto-bomba explodiu perto de um grupo de jornaleiros que esperavam o início do dia de trabalho. O ataque deixou sete mortos e 20 feridos. Poucos minutos depois, mais duas bombas à margem de uma avenida explodiram perto do principal hospital de Sadr City, para onde eram levadas as vítimas do primeiro atentado: duas pessoas faleceram e 15 ficaram feridas.

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Impasse – Cresce no país o medo de que aumente ainda mais o conflito entre xiitas e sunitas, agravado depois que o primeiro-ministro Nuri al Maliki, xiita, tirou dois polícos sunitas do poder depois que os EUA retiraram suas tropas do Iraque. Desde o início da crise, dirigentes dos dois blocos políticos manifestam preocupação com a possibilidade de um ressurgimento da onda de violência religiosa que provocou milhares de mortes entre 2006 e 2007.

O impasse político no Iraque teve início depois que a bancada parlamentar do partido Iraqiya, de orientação sunita, passou a criticar, em dezembro e em tom duro, os métodos do governo do primeiro-ministro xiita Nuri al Maliki. A situação se agravou com a ordem de prisão contra o vice-presidente Tarek al Hashemi, um sunita, que se refugiou no Curdistão iraquiano, no norte do país.

O bloco Iraqiya, segundo maior grupo no Parlamento, com 82 legisladores, boicota há mais de duas semanas os trabalhos legislativos. Seus nove ministros fazem o mesmo no Executivo. “Os políticos lutam entre eles pelo poder e nós pagamos o preço”, lamentou Ahmed Khalaf, um dos jornaleiros que testemunhou as explosões em Sadr City.

Estados Unidos e ONU pediram calma e diálogo às diferentes tendências políticas, mas até o momento sem resultados concretos. O primeiro-ministro Maliki aparentemente cedeu esta semana ao aceitar que os ministros do Iraqiya mantenham o boicote sem o risco de demissão. Eles passaram a ser considerados ministros em férias.

(Com agência France-Presse)

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