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Argentina acha documentos com ‘listas negras’ da ditadura

Além de artistas e intelectuais considerados inimigos do regime militar, atas secretas incluem comunicados oficiais sobre desaparecidos políticos

Por Da Redação
4 nov 2013, 23h21

O governo argentino anunciou nesta segunda-feira ter encontrado 280 atas originais e secretas da ditadura militar (1976-1983) no subsolo da sede da Força Aérea. Os documentos incluem informações sobre desaparecidos e “listas negras” com nomes de artistas e intelectuais.

“Foram encontradas 280 atas originais, em seis arquivos com índice de temas tratados pelas juntas militares”, disse o ministro da Defesa, Agustín Rossi, em entrevista coletiva. Segundo Rossi, trata-se do primeiro grande achado de documentação secreta da ditadura militar, algo de “grande valor histórico”. Ele revelou que os documentos foram encontrados durante uma limpeza no subsolo do prédio Cóndor, sede da Aeronáutica, em dois cofres e dois armários.

O ministro declarou que entre os documentos há três livros originais com informação sobre comunicações da Junta Militar que governava o país, incluindo “a solicitação que Hebe (de Bonafini, presidente das Mães da Praça de Maio) fez sobre seus filhos desaparecidos”.

As “listas negras”, que incluem 153 artistas e intelectuais, trazem os nomes do escritor Julio Cortázar, morto 1984, da cantora Mercedes Sosa, que morreu em 2009, e ainda dos atores Héctor Alterio e Federico Luppi.

Planos militares – O ministro Rossi mostrou vários documentos originais encontrados e fotos em sua apresentação à imprensa, na qual destacou que a documentação vai da data do golpe de estado, em 24 de março de 1976, até 1983, quando ocorreram eleições presidenciais.

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“Temos as posições de cada uma das Forças Armadas sobre os temas tratados nas reuniões”, disse Rossi, que exibiu gráficos revelando que os militares planejavam ficar no poder até o ano 2000. Mas diante da crescente resistência interna e da pressão internacional, a ditadura recebeu um golpe definitivo com a derrota na Guerra das Malvinas para a Grã-Bretanha, em 1982.

Algumas atas encontradas tratam de opositores desaparecidos e instruem sobre como abordar o tema diante da opinião pública e dos meios de comunicação. Ao menos 30 000 pessoas desapareceram durante a ditadura argentina, segundo organismos humanitários.

“Uma parte está dedicada à visita feita em 1989 pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, quando familiares das vítimas fizeram longas filas para apresentar denúncias em Buenos Aires. Segundo Rossi, foi o comandante da Força Aérea, brigadeiro Mario Callejo, que informou o governo sobre os documentos.

“É um fato qualitativo diferente de etapas anteriores e ajuda a consolidar esta nova etapa a qual as Forças Armadas estão subordinadas à Constituição e ao poder civil”, destacou o ministro.

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