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Aproximação com os EUA causa reações distintas na oposição cubana

Ex-preso político considera que momento escolhido para diplomacia não foi o adequado. A blogueira Yoani Sánchez escreveu que o "castrismo venceu"

Por Da Redação 18 dez 2014, 07h21

A dissidência cubana recebeu a decisão dos governos de Cuba e Estados Unidos de restabelecer relações diplomáticas com certo ceticismo. “Não era o momento oportuno para essas medidas, pois era necessário esperar um gesto claro e decisivo de Havana a favor dos direitos humanos”, disse nesta quinta-feira o ex-preso político José Daniel Ferrer, que preside, em Santiago de Cuba, a União Patriótica de Cuba (Unpacu, na sigla em espanhol).

A Unpacu é uma organização civil fundada em 2011 por dissidentes e ex-presos políticos cubanos que lutam pela abertura democrática na ilha caribenha. Ferrer, no entanto, sinalizou que a reaproximação pode sim ter aspectos positivos. “Devemos saber usar as brechas que foram abertas com essas medidas”, afirmou. “Estamos dispostos a apoiar todas as mudanças que eventualmente puderem trazer algum benefício para o povo cubano. É nesta área onde organizações pró-democracia pacíficas, agora mais do que nunca, devem tentar alcançar a maior mudança que Cuba precisa: o pleno respeito e a ratificação da Carta Universal dos Direitos Humanos. Esse tem sido o foco das ações da Unpacu”.

O anúncio, realizado simultaneamente em Washington e Havana pelo presidente Barack Obama e o ditador Raúl Castro, surpreendeu a oposição interna de Cuba, que já se mostrava inquieta diante de alguns sintomas prévios, como oito editoriais do influente jornal The New York Times (NYT). Em 11 de outubro, por exemplo, no texto mais direto do jornal sobre o assunto, o editorial pedia para Obama encerrar o embargo que prejudicava muito mais o povo do que o governo cubano. Nesta quinta, o jornal aprovou a decisão de reaproximação e afirmou, também em editorial, que “a história vai provar que Obama agiu certo”.

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A oposição cubana já havia manifestado sua reprovação às negociações em curso entre a União Europeia e Cuba. “Boa parte da diplomacia da União Europeia tem usado, nos últimos meses, óculos especiais na hora de observar a realidade cubana”, disse um editorial recente do site opositor Damas de Blanco.

(Com agência France-Presse)

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