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Annan pede a Conselho de Segurança que adie voto de resolução sobre a Síria

Nações Unidas, 18 jul (EFE).- O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que adie a votação prevista para esta quarta-feira sobre um projeto de resolução ocidental que ameaça com sanções o regime de Bashar al Assad e ao qual a Rússia se opõe.

Annan apresentou esse pedido porque considera que existe ‘margem para um acordo’ com a Rússia após seus contatos com Moscou nos últimos dias, disseram à Agência Efe fontes diplomáticas.

O principal órgão de decisão da ONU deve submeter a votação a partir das 16h (de Brasília) o projeto de resolução apresentado por Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha e Portugal na semana passada para aumentar a pressão sobre o regime de Damasco mediante a ameaça de sanções diplomáticas e econômicas.

O texto, que também renova o mandato da Missão de Observação das Nações Unidas na Síria (UNSMIS) por mais 45 dias, ameaça com a aplicação de sanções sob o Capítulo VII da Carta da ONU se o regime não recuar suas tropas dos centros urbanos em até dez dias e não interromper o uso de armamento pesado.

Após várias jornadas de negociações em diferentes níveis, fontes diplomáticas davam como certo até hoje o duplo veto de Rússia e China à iniciativa ocidental.

Annan, que já retornou a Genebra depois de se reunir em Moscou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, considera agora que pode uma aproximação entre os membros permanentes do Conselho, por isso pediu um pouco mais de tempo antes que a proposta ocidental acabe em veto.

Fontes diplomáticas disseram que é muito provável que os países ocidentais aceitem adiar o voto, embora previsivelmente isso deva acontecer nesta mesma semana, já que o mandato dos observadores ocidentais termina na sexta-feira, dia 20 de julho.

Para os países ocidentais do Conselho de Segurança, o atentado de hoje, somado aos confrontos que acontecem há vários dias em Damasco, evidencia a necessidade urgente de uma ação do principal órgão internacional de segurança.

‘Os atentados aumentam tragicamente a pressão sobre o Conselho de Segurança para que atue. A Síria submerge no caos. Sejamos claros: a responsabilidade da escalada da violência reside no regime de Assad’, disse hoje em entrevista coletiva o embaixador da Alemanha na ONU, Peter Wittig. EFE