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Annan fará nova proposta a rebeldes sírios após alcançar acordo com Assad

Por Louai Beshara - 9 jul 2012, 11h51

O emissário internacional para a Síria, Kofi Annan, anunciou nesta segunda-feira ter alcançado um acordo com o presidente Bashar al-Assad sobre um novo “enfoque” que irá propor aos rebeldes visando acabar com a violência que causa estragos no país.

O mediador, que reconheceu dois dias antes do fracasso de seu plano de seis pontos para pôr fim à crise, não detalhou o conteúdo do acordo, mas disse que o submeterá aos rebeldes que combatem o Exército.

Annan disse à imprensa em Damasco que a reunião com o presidente sírio foi “franca” e “construtiva”.

“Falamos sobre a necessidade de acabar com a violência e sobre os meios para alcançar isso” e “chegamos a um acordo sobre um enfoque, que vou compartilhar com a oposição armada”, acrescentou Annan.

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O jornal sírio ligado ao poder Al-Watan havia revelado que o encontro se concentraria na transição política sugerida por Annan, aprovada pelo grupo de ação sobre a Síria em Genebra no dia 30 de junho.

O plano prevê a formação de um governo de transição que reúna representantes do regime e da oposição, se mencionar a saída de Assad. A comunidade internacional diverge sobre sua interpretação, já que os Estados Unidos consideram que abre caminho para a era “pós-Assad”, e Rússia e China, aliadas de Damasco, reiteram que os sírios devem definir seu futuro.

O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu novamente nesta segunda-feira uma “solução política pacífica” na Síria, rejeitando “qualquer ingerência pela força desde o exterior”.

Pouco antes, o porta-voz do Ministério sírio das Relações Exteriores, Jihad Makdesi, havia indicado no Twitter que a reunião entre Annan e Assad tinha sido “construtiva”.

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“A implementação do plano de seis pontos esteve no centro das discussões nas quais também foi abordada uma forma de ir adiante”, indicou Makdesi em referência ao projeto do emissário, que não foi aplicado.

No mesmo dia, em Moscou, um dos principais líderes da oposição síria, Michel Kilo, pediu contribuições para “a estabilização da situação” em seu país.

Antes da reunião de Annan com o presidente sírio, a oposição criticou a visita do mediador a Damasco, ao considerar que o fracasso de sua missão tornava necessária uma ação internacional urgente “sob o capítulo VII” da carta da ONU, que obrigaria o regime a acabar com a repressão.

O regime de Assad tenta esmagar há 16 meses um protesto que se militarizou com o passar do tempo. Repressão e combates causaram mais de 17 mil mortes no país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG opositora radicada no Reino Unido.

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O plano Annan estipula, além do fim da violência, um diálogo político, o envio de ajuda humanitária às zonas assoladas pelos combates, o fim das prisões arbitrárias, a liberdade de circulação para os jornalistas e a liberdade de associação e direito a protestar pacificamente.

Mas a violência se intensificou desde a entrada em vigor oficial no dia 12 de abril do cessar-fogo previsto por Annan, com cerca de 6.000 mortos neste período, segundo o OSDH.

Nesta segunda-feira, pelo menos 31 pessoas — 16 civis, 11 soldados e quatro rebeldes — foram mortos em episódios de violência em todo o país, segundo o OSDH, uma organização com sede no Reino Unido, que se baseia em uma rede de militantes e de testemunhas.

Em Qousseir, um reduto rebelde próximo a Homs (centro), as tropas do governo iniciaram no início da tarde um intenso bombardeio contra a localidade, que está há três meses sob fogo de artilharia.

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Nesta ocasião, as tropas não esperaram o anoitecer. “Quando atacam pela manhã, seu objetivo é causar o maior número possível de vítimas civis, pois sabem que a esta hora as pessoas estão nas ruas”, afirmou à AFP Hussein, um dos ativistas locais.

O governo alega combater “grupos terroristas” financiados pelo exterior com o objetivo de semear o caos no país.

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