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Afegã é induzida a se casar com seu estuprador

Gulnaz foi estuprada aos 16 anos e se casou com seu agressor após ser condenada a 12 anos de cadeia por adultério

Por Da Redação - 7 abr 2015, 17h12

Uma mulher afegã foi obrigada a se casar com o homem que a estuprou depois de ser condenada a prisão por adultério. Gulnaz foi abusada aos 16 e sentenciada a 12 anos de cadeia porque seu agressor era casado. Posteriormente, ganhou o perdão presidencial e sua pena foi reduzida, mas diante da vergonha e rejeição de uma sociedade conservadora, foi induzida a se casar com Asadullah, o homem que a atacou.

A história foi revelada pela rede de televisão americana CNN, que conversou com Gulnaz e seu marido na casa onde vivem com seus três filhos, entre eles Smile, fruto do estupro e que passou seus primeiros anos na prisão com a mãe. A primeira esposa de Asadullah, que por coincidência é prima de Gulnaz, e as crianças que nasceram dessa união também moram sob o mesmo teto.

Asadullah defende que agiu de acordo com as regras morais estabelecidas no Afeganistão e que acolheu Gulnaz após seus irmãos a terem rejeitado. “Se eu não tivesse casado com ela, de acordo com as nossas tradições, ela não poderia voltar a viver em sociedade”, disse. Ao lado de seu marido, a afegã confirma a versão: “Nós somos tradicionais. Quando sujamos nosso nome, preferimos a morte a viver em sociedade com esse nome”. Conta também que não pensa mais no estupro e que está feliz com sua vida atual.

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No entanto, ao ser entrevistada sozinha, Gulnaz afirma que seus irmãos a teriam aceitado de volta, mas que decidiu se casar pelo bem de sua filha, que pode ser legitimada. “Mas agora que estamos casados eles me renegaram e não querem mais me ver”, disse. Expressou também sua infelicidade: “Não, eu não pude realizar meus desejos de vida. Eu me casei com esse homem, eu cortei relações com a minha família para poder comprar o futuro da minha filha”.

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“Infelizmente, Gulnaz foi fortemente pressionada a se casar com seu agressor por várias pessoas dentro do governo o que, por si só, foi imensamente decepcionante”, disse sua antiga advogada, Kimberley Motley. “Gulnaz foi constantemente alertada de que nem ela nem sua filha seriam protegidas caso não sucumbisse à pressão de se casar… Gulnaz se tornou essencialmente uma prisioneira de seu próprio ambiente”, afirmou.

Desde que sua história foi divulgada pela mídia, muita coisa mudou para Gulnaz, que agora vive presa em sua casa. Em 2011, uma petição com quase 5.000 assinaturas foi enviada ao presidente afegão Hamid Karzai, pedindo a sua libertação da prisão. A reação veio após a União Europeia proibir a exibição de um documentário sobre a afegã, temendo pela sua segurança.

(Da redação)

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