A menor taxa de homicídios do Brasil
Nenhum outro estado do país é tão seguro quanto São Paulo. Os índices de criminalidade despencaram desde o ano 2000
Há uma maneira simples de dimensionar o fenômeno da queda dos homicídios no estado de São Paulo: 130 000 vidas, o equivalente a toda a população de Araras, cidade entre Campinas e Ribeirão Preto. Ou seja, se os índices de homicídios ainda estivessem no patamar em que estavam no ano 2000, quando a transformação começou, seria como eliminar Araras do mapa do estado. É essa a tradução de uma estatística sem precedentes: no ano 2000, para cada 100 000 pessoas, houve 35,27 casos de homicídio. Em 2017, o número foi expressivamente menor: 7,54 assassinatos para cada 100 000 habitantes.
Não se trata apenas de uma tendência. É uma transformação completa e consolidada na vida do estado — e sem comparação com o restante do país. São Paulo é a unidade da federação com o menor índice de homicídios em relação à população. Tem o segundo melhor indicador do país para a quantidade proporcional de vítimas de latrocínio. E, importante, fez isso usando dinheiro público com eficiência: apresenta o quinto menor gasto per capita do Brasil. Conseguiu os melhores resultados investindo, proporcionalmente, menos do que outros estados. Ou seja, o dinheiro é alocado em ações planejadas, que garantem uma melhoria contínua nos indicadores de segurança.
Esses dados fazem parte do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que consolida e compara estatísticas anuais de todos os estados da federação mais o Distrito Federal. Se o anuário ajuda a situar São Paulo no cenário nacional, as informações da própria Secretaria de Segurança Pública mostram que essas conquistas são resultado de um trabalho de longo prazo, que vem se mostrando extremamente bem-sucedido desde, pelo menos, o começo deste século 21.

Investigações e reconhecimento
Para diminuir o número de crimes no estado de São Paulo, o governo investe em inteligência policial e tecnologia, mantém o foco nos resultados e conta com a dedicação de seus policiais.
O policiamento preventivo é pautado pelo aperfeiçoamento de métodos de gestão e equipamentos utilizados pela polícia paulista, além de ferramentas como o Infocrim (sistema de informações criminais) e o Detecta (sistema de monitoramento inteligente). Eles possibilitam o acompanhamento diário dos crimes, inclusive das mudanças de condições e do modo de agir dos criminosos, possibilitando que o trabalho de prevenção e de investigação tenha efetividade.
Desde 2000, as polícias paulistas retiraram de circulação mais de 450 000 armas ilegais.O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) solucionou 41% dos casos que investigou em 2016, um índice muito acima da média nacional. Com isso, mais criminosos foram presos e ficaram longe das ruas — desde 2001, mais de 2,2 milhões de prisões foram efetuadas no estado de São Paulo.

E para dar conta dessa demanda de detentos, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) conduz, desde 1995, o Plano de Expansão de Unidades Prisionais, que garantiu a construção de novos presídios, capazes de retirar uma quantidade expressiva de detentos das cadeias de delegacias e, assim, melhorar as condições de segurança e oferecer maiores possibilidades de ressocialização. Desde 2011, 55 cadeias públicas de delegacias foram desativadas na região metropolitana de São Paulo e no interior paulista.
Os esforços do governo de São Paulo recebem reconhecimento de organismos nacionais e internacionais que monitoram constantemente situações de violência no Brasil e no mundo, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Ministério da Justiça e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Todas essas instituições já estudaram os feitos alcançados pelo estado. Concluíram que o sucesso é resultado de uma série de fatores. Um dos mais importantes é a aposta na tecnologia, consolidada com a criação do Detecta, o maior banco de dados para monitoramento de criminalidade da América Latina.
Implantado progressivamente ao longo dos últimos quatro anos, o sistema reúne milhares de câmeras, integradas aos registros de informações das polícias civil e militar, de institutos de identificação e de órgãos públicos estratégicos, como o Detran. Essas informações permitem mobilizar, com grande agilidade, as forças policiais de todo o estado, porque elas passam a ter acesso, em seus tablets, a informações sobre veículos furtados, roubados ou envolvidos em todos os tipos de ações criminosas. E é assim, com tecnologia, um serviço profissional de investigação e o investimento em instalações para os detentos, que o governo estadual trabalha para manter e, claro, melhorar seus indicadores de segurança pública.








