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“O maior sofrimento é quando não há quem cuide da gente”

Vencedora do Prêmio Veja-se na categoria Saúde dirige o Hospital Dia Oncovida e fundou uma associação que acolhe pacientes carentes em Montes Claros

Por Natalia Cuminale Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 nov 2017, 19h30 | Atualizado em 4 jun 2024, 18h50
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No coração da área mais pobre do Estado de Minas Gerais, a cidade de Montes Claros oferece esperança a milhares de pessoas que sofrem de câncer. Elas deixam as cidades das redondezas em busca de atendimento médico e tratamentos específicos como quimioterapia e radioterapia. Estima-se que a cada ano surjam pelo menos 3.000 casos e haja 1.000 óbitos só na região. Faltam recursos básicos (193.000 famílias vivem em situação de extrema pobreza nos arredores) e infraestrutura.

Quando chegava para trabalhar no hospital público da cidade, a médica Priscila Bernardina Miranda Soares deparava com pessoas que não tinham onde ficar nem o que comer. Elas enfrentavam uma jornada de 24 horas para se tratar. “Eu pensava: ‘Como uma pessoa vai vencer o câncer, se ela não tem comida, se não tem morfina, se não tem remédio para enjoo, se emagrece a cada ciclo de quimioterapia?’! Só resgatamos a dignidade e a saúde de uma pessoa quando olhamos para ela por inteiro”, diz Priscila. A inquietação levou-a a fundar a Associação Presente, um espaço que acolhe gratuitamente os pacientes carentes das cidades próximas. No começo, em 2004, o local era pequeno, com dois cômodos e seis leitos. Hoje, tem 800 metros quadrados e abriga 32 pessoas. Além de uma cama para dormir, banho quente e refeições balanceadas, os pacientes têm acesso a orientação com assistente social, atendimento nutricional e psicóloga. Os doentes também recebem apoio espiritual, participam de atividades de entretenimento, como roda de viola e palestras, e aprendem artesanato. Desde o início, a associação já ajudou mais de 7.000 pessoas. Quanto à prevenção, Priscila também é ativa. Todos os anos, organiza o maior mutirão de rastreamento da doença na região. O atendimento ocorre na praça central da cidade e, desde a primeira edição, em 2011, já detectou precocemente câncer em 86 pessoas. A médica é descrita como uma pessoa afetuosa, exigente e incansável. Todo o trabalho é feito com doações de cidadãos comuns e empresas. Neste ano, ela se impôs um novo desafio: criar o primeiro centro de cuidados paliativos do norte de Minas. A prática consiste em aplacar o sofrimento causado pelos sintomas e pelas sequelas de uma doença sem cura. Calcula-se que 80% das pessoas com câncer avançado vão enfrentar a dor em alguma fase da vida. É isso que ela quer mitigar. “O maior sofrimento do ser humano, o mais intolerável, insuportável, é quando não há alguém que cuide dele”, diz Priscila.

Conheça os três candidatos nesta categoria. A votação está encerrada.

Saúde
Guilherme Polanczyk
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Guilherme Polanczyk – O psiquiatra coordena a Unidade de Internação de crianças e adolescentes do Instituto de Psiquiatria da USP Leia o perfil completo
Priscila Miranda
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Priscila Miranda (vencedora) – A oncologista e paliativista dirige o Hospital Dia Oncovida e fundou uma associação que acolhe pacientes carentes em Montes Claros Leia o perfil completo
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Salmo Raskin
Salmo Raskin – O pediatra e geneticista é diretor do Centro de Aconselhamento e Laboratório Genetika, pesquisador e professor Leia o perfil completo

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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