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Mil e uma noites no Rio

Blindados por um impenetrável esquema de segurança, sheiks do Catar trazem à cidade seu milionário e exótico estilo de vida

Por Pedro Moraes e Daniel Hessel Teich
Atualizado em 12 ago 2016, 22h26 - Publicado em 12 ago 2016, 22h22

Dois dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos, a antiga sede da Casa Daros, em Botafogo, despertava a atenção pela iluminação cor de rosa, pelos fachos de luz que subiam ao céu, pelas dezenas de seguranças nas redondezas e pela frota de Mercedes Benz, Land Rovers, Audis e outros automóveis de luxo, todos pretos, estacionados em frente ao local. Dentro do prédio centenário recém-reformado, uma comitiva de homens e mulheres vestidos de longas túnicas e cabeças cobertas circulavam entre os salões decorados com motivos árabes, tapetes e objetos de luxo trazidos do Oriente Médio. Todos falando árabe entre si, praticamente não interagiam com os demais convidados. No jantar, que seguia o rito halal como prevê o islamismo, ocuparam uma parte do vasto pátio interno do prédio separada dos demais convidados. Acomodados em longas mesas que lembravam as de churrascarias, assistiram a apresentação de um quarteto de cordas, a uma queima de fogos de artificio que lançou fagulhas sobre os convidados e depois bateram em retirada.

Uma das famílias mais ricas do mundo, os Al-Thani mandam no emirado do Catar, país de dois milhões de habitantes à beira do Golfo Pérsico. Ali exercem um regime de monarquia absoluta. Anfitriões da Copa do Mundo de 2022, os catarianos vieram ao Rio para fazer bonito. Além da belíssima (e cara) instalação que montaram em Botafogo, trouxeram a maior delegação esportiva de sua história, com 38 atletas, 23 estrangeiros recrutados em 17 países (entre eles o brasileiro Jefferson Santos Pereira, do vôlei de praia). A bandeira do país foi carregada por um membro da família real, sheik Ali Bin Khalid Al-Thani, na cerimônia de abertura no Maracanã. E no comando de toda a delegação, reina o sheik Joaan bin Hamad Al-Thani, irmão do emir Tamim bin Hamad Al-Thani.

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Apesar de sequer confirmarem a presença do governante catariano no país, uma portentosa estrutura foi montada para recebê-lo e a seus familiares em um conjunto de mansões, no Jardim Botânico, na Zona Sul. Entre as residências, destaca-se o imenso imóvel localizado na rua Bento Cruz, na área em que o bairro faz limite com a floresta da Tijuca. Com 7 000 metros quadrados e sete suítes, o imóvel tem salões com pé-direito de 9 metros de altura, telhado com espelho d’água e bosque de mata nativa nos fundos com uma passarela suspensa em meio à copa das árvores. Estima-se o casarão foi alugado por cerca de 1 milhão de reais. Todos os móveis que decoram os ambientes foram trazidos de Doha, a capital do emirado.

Em suas aparições públicas os nobres catarianos costumam se vestir quase todos da mesma maneira. Os homens envergam uma longa túnica branca, chamada thobe, e usam na cabeça um lenço da mesma cor (a ghutra), preso por um grosso cordão preto feito de lã de camelo. A única concessão à vaidade são os relógios Rolex nos pulsos e a profusão de perfume. As fidalgas catarianas, por sua vez, usam túnica de cor escura que cobre todo o corpo e o indefectível hijab, lenço que envolve a cabeça. Nas recepções, homens e mulheres ocupam mesas separadas. Sobrinha do emir e diretora de marketing do Comitê Olímpico do Catar, Asma Al Thani, 27 anos, é uma das raríssimas faces públicas da família real no Rio. Montanhista, ela já escalou o Kilimanjaro e veio várias vezes à cidade. “Virei fã de brigadeiro, fiz um voo de helicóptero e me apaixonei pelo Pão de Açúcar”, elogia. No entanto, apesar da simpatia, o protocolo é rígido. Antes das entrevistas, os jornalistas são alertados de que não devem fazer perguntas espinhosas sobre a família real nem a respeito das denúncias de suborno de dirigentes da Fifa para sediar a Copa do Mundo, sob o risco de, com isso, o encontro ser abruptamente encerrado.

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