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Em 76, Verdão foi campeão com recorde diante do XV de ‘zagueiro-entregador’

Por Da Redação 8 fev 2012, 09h20

A história de quase 90 anos do encontro entre Palmeiras e XV de Piracicaba não foge à realidade de um confronto entre um grande e um representante do interior. O Verdão carrega ampla vantagem, com 57 vitórias, 23 empates e somente nove derrotas. Mas há um fato importante que cerca os rivais desta quarta-feira: a decisão do Campeonato Paulista de 1976, na penúltima rodada do segundo turno.

O jogo foi disputado no dia 18 de agosto, no Palestra Itália. A presença de 40.283 pessoas ainda é o maior público da história da casa alviverde – a tendência é que a marca seja batida após a reforma e o aumento da capacidade. A participação da torcida palmeirense marcou o capitão do XV de Piracicaba naquela ocasião, o ex-zagueiro Fernando Paolillo.

‘O Palmeiras pressionou de tal maneira no começo e só conseguimos suportar porque éramos um time extremamente regular’, exalta o antigo jogador, que lamentou, porém, um erro da defesa que determinou o triunfo de 1 a 0 do Alviverde. ‘Infelizmente tomamos um gol de bola parada, uma infelicidade do nosso goleiro. No cruzamento do Edu, ele gritou que a bola era dele, saiu, não pegou nada e deu a chance para o Jorge Mendonça completar’, emenda.

Naquela época, Fernando Paolillo recorda que a diferença salarial entre um atleta de uma agremiação em comparação aos craques dos grandes já era enorme. Assim, o XV de Piracicaba usou uma premiação polpuda para motivar o grupo a tentar bater o Palmeiras e ter chances de ganhar o título na última rodada. ‘Depois fiquei sabendo que nosso bicho pelo título era maior até que o do Palmeiras. O legal é que eles pagaram o valor prometido mesmo com a nossa derrota e a conquista do vice-campeonato’, recorda.

No entanto, a vida de Fernando Paolillo no XV de Piracicaba não era fácil. Além de defender a equipe nos gramados, tinha a obrigação de buscar um trabalho alternativo para completar a renda. Então, surgiu a ideia de atuar como entregador.

‘Havia um diretor do XV que me pagava para fazer entregas no negócio dele, era um dinheiro que ajudava a complementar o orçamento da época de atleta’, confirma o ex-defensor. ‘Nosso time era praticamente amador, com um salário muito baixo mesmo, só tivemos a chance de ganhar um pouco mais de dinheiro com esse prêmio’, completa.

Revelado no São Paulo, Fernando Paolillo nunca mais se deparou com a oportunidade de atuar em um clube grande. Depois do vice-campeonato de 1976, teve proposta do Corinthians e não foi liberado pelo XV de Piracicaba. Antes, quando atuava pela Ferroviária, também recebeu uma sondagem para voltar ao Tricolor e mais uma vez não deu certo. Ele encerrou a carreira aos 40 anos, quando retornou ao próprio clube de Araraquara.

Fernando Paolillo carrega uma sensação amarga pela falta de sorte no futebol.Repete, de forma insistente, que poderia ter uma tranquilidade financeira proveniente do esporte. Hoje, é obrigado a se manter em atividade na cidade de Araraquara para somar uma renda digna, aos 66 anos. ‘A minha aposentadoria é de R$ 620, não daria para sobreviver só com isso’, diz.

Agora, Fernando Paolillo participa de um projeto ligado à prefeitura de Araraquara na direção de um time de futebol feminino. ‘Nós usamos o uniforme da própria Ferroviária, mas sou contratado da prefeitura’, explica o ex-zagueiro e ex-capitão do XV de Piracicaba, que marcou história para o futebol do interior paulista.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 1 x 0 XV DE PIRACICABA

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Local: Estádio do Palestra Itália, em São Paulo (SP)

Data: 18 de agosto de 1976

Renda: Cr$ 777.915,00

Público: 40.283 pagantes

Árbitro: Romualdo Arppi Filho (SP)

Gol:

PALMEIRAS: Jorge Mendonça, aos 39 minutos do primeiro tempo

Palmeiras: Leão; Valdir, Samuel, Arouca e Ricardo; Pires e Ademir da Guia; Edu, Jorge Mendonça, Toninho e Nei

Técnico: Dudu

XV DE PIRACICABA: Doná; Volmil, Fernando, Elói e Almeida, Muri, Vágner, Pitanga Nardela (Capitão), Benê (Paulinho) e João Paulo

Técnico: Dema.

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