Bruna Takahashi: “A confiança ajuda muito”
Atleta campeã com o namorado Hugo Calderano fala de parceria, supremacia chinesa e sonho olímpico em Los Angeles 2028
Que tal competir ao lado do namorado? O Hugo é o mesa-tenista número 3 no ranking mundial, o melhor brasileiro no esporte e, ainda por cima, meu namorado. Tenho que juntar tudo isso na cabeça e, ao mesmo tempo, fazer o meu jogo. Parece difícil de lidar, mas acabei conseguindo controlar bem todos esses fatores. A confiança que temos, não só na dupla, mas também no relacionamento, é vital. Ajuda demais na hora da partida.
Sai muita briga? A gente conversa, claro, mas nunca no tom de “você poderia ter feito isso ou aquilo”. Tentamos não colocar a culpa no outro e sempre refletimos sobre o que fazer na próxima vez para melhorar. Temos que pensar em dupla para não prejudicar nenhum dos dois.
O fato de vocês se conhecerem tão bem mais ajuda ou atrapalha? Para mim, ajuda. Nossa relação é tranquila. Acho que acabei conseguindo lidar da melhor forma possível com a situação. Falamos sobre absolutamente tudo.
Pode-se dizer que a conquista de vocês em fevereiro no Grand Smash, em Singapura, furou a bolha asiática no esporte? Demos um peteleco na bolha, mas não a furamos. O Grand Smash é um dos maiores campeonatos do tênis de mesa e, quando eu e Hugo vimos que não haveria nenhum chinês no caminho, ficamos felizes. Com eles, a competição é realmente mais difícil. A gente sabia que poderia vencer, mas fomos com calma, na base do jogo a jogo. No fim, nos tornamos a primeira dupla não chinesa a ganhar um Smash. Mas ainda há muito a melhorar. Esse título foi um passo decisivo para seguirmos motivados, sabendo que temos chance de lutar contra os asiáticos, principalmente contra os chineses.
E o que falta para competir de igual para igual com eles? A gente precisa de mais jogos contra as chinesas para nos testar e, um dia, quem sabe, vencer. No ano passado, depois de muito sacrifício, quase consegui ganhar de uma chinesa, mas ainda não deu.
O que ajuda a explicar a supremacia chinesa no tênis de mesa? Para eles, é como se fosse o futebol no Brasil. Em vez de a criança receber uma bola de aniversário, ela é presenteada com uma pequena raquete. Essa cultura, aliada a ótimos centros de treinamento e uma boa base, ajuda a desenvolver a técnica e faz grande diferença. A distância deles em relação aos outros países continua enorme.
Quais são suas expectativas para a Olimpíada de Los Angeles, em 2028? Sei que posso ir longe e espero estar no melhor nível possível. Mas é difícil, porque todo mundo chega nos Jogos em sua forma máxima. Meu objetivo é estar feliz, relaxada, sabendo que vou obter o resultado que estiver ao meu alcance. Quem sabe a medalha vem. Sonhar não custa nada.
Publicado em VEJA de 20 de março de 2026, edição nº 2987





