Como é o cotidiano do hospital eleito pelos médicos como modelo no tratamento psiquiátrico no Brasil, o Instituto Bairral
HÁ VINTE ANOS O BRASIL VIVE UMA MUDANÇA COLOSSAL NO TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO.
De um lado, o impacto da ciência. O salto na qualidade dos medicamentos fez com que homens e mulheres, antes praticamente incapacitados pelos sintomas de doenças mentais graves, passassem a ter uma vida relativamente comum. Em outro aspecto, houve uma forte influência ideológica. Graças a uma corrente nascida na Itália, que condena a hospitalização desse tipo de paciente, o Brasil perdeu nesse mesmo período, cerca de 80% dos leitos psiquiátricos. Acima de qualquer questão, VEJA ouviu treze psiquiatras para identificar o centro médico de excelência atualmente em atividade. O Instituto Bairral, uma hospital filantrópico localizado em Itapira, a 170 quilômetros de São Paulo, foi unanimidade. A reportagem a seguir mostra o perfil dessa instituição e como ela é capaz de revelar a natureza do doente mental – tão intensamente grandiosa e exígua ao mesmo tempo.
Roberto Santos sofre de esquizofrenia crônica. A doença não responde a medicamentos. Semanalmente, tem de se submeter a sessões de eletroconvulsoterapia (ECT), conhecido como eletrochoque. O tratamento, ainda tão estigmatizado, funciona como cartão de visita da excelência do bom funcionamento do Instituto Bairral. Aplicado dentro de protocolos rigorosos, salva vidas produzindo uma reordenação do sistema cerebral.
https://www.youtube.com/watch?v=3Gnqmv9vk4E
Os esquizofrênicos ocupam hoje 30% dos mil leitos do Instituto Bairral. Parte deles vive em uma residência terapêutica, assistida pelo hospital. Nelas vivem no máximo oito pessoas. Miguel Martins dos Santos é um deles. “Sofro de macumba elétrica. Sou vítima. Desde jovem meus vizinhos me torturavam. Eles apertavam o botão de uma máquina elétrica e jogavam eletricidade no meu corpo.”. Conheça sua história no vídeo a seguir.
https://www.youtube.com/watch?v=BTbPRqGwPo8
O Instituto Bairral muito pouco lembra um hospital, ainda mais psiquiátrico. As unidades são espalhadas por um terreno de 400 mil metros quadrados, sendo 35% dele tomado por árvores frondosas. Há quadras de tênis, futebol e piscinas. É permitido fumar – um maço por dia, no máximo. Veja o cotidiano do hospital e histórias de superação, como a de Taynara, borderline: “Pedi para ser internada. Minha família não queria, achava que era exagero meu. Eu bem sei que não. Eu me descontrolava com facilidade.”
https://www.youtube.com/watch?v=u70u1dG22OY
SAIBA MAIS SOBRE O HOSPITAL, TRATAMENTOS E HISTÓRIAS DE PACIENTES COM AS FOTOS ABAIXO:















Fotos e vídeos: Egberto Nogueira/Ímã Foto Galeria

