Este especial é uma aula de como o pioneiro do rock’n’roll americano se tornou uma das principais lendas da música jovem norte-americana
por Sérgio Martins
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Atualizado em 17 jul 2019, 16h28 - Publicado em
11 ago 2017
17h18
Em abril de 2012, o repórter Sérgio Martins, a cinegrafista Raquel Hoshino e o fotógrafo Gilberto Tadday se embrenharam pelo sul dos Estados Unidos para desvendar as raízes musicais de Elvis Presley. Conheceram Tupelo, a cidade natal do Rei d Rock, e Memphis, local onde iniciou sua carreira musical. Passaram por Shreveport, berço do Louisiana Hayride, programa de rádio onde ele se consagrou como ídolo americano, e Nashville, localidade que o hostilizou – ele foi rejeitado pelo Grande Ole Opry, o maior show radiofônico do sul do país – e que posteriormente sediaria as gravações de seus principais discos. O passeio contou ainda com dois momentos tétricos: a visita a Graceland Too, templo dedicado a Elvis e construído por um sujeito de aparência soturna, e a encruzilhada do blues, onde o guitarrista Robert Johnson teria feito um pacto com o diabo para se tornar uma estrela da música. O especial apresenta um desfile de personagens curiosíssimos, como o Elvis Presley casamenteiro, Nick Spitzer, professor de Nova Orleans que tem um chumaço do cabelo de Elvis (e que teria propriedades afrodisíacas) e James Burton, último guitarrista do Rei do Rock. Num ano em que se lembram os 40 anos da partida do pioneiro do rock’n’roll americano, este especial é uma aula de como ele se tornou uma das principais lendas da música jovem norte-americana.
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O violão, a bota e o chapéu postados na entrada da cidade antecipam o que o visitante irá encontrar ali. Nashville é a capital da música caipira dos Estados Unidos por causa de sua posição estratégica (fica no meio do caminho das principais cidades do sul do país) e abrigava o Grand Ole Opry, maior programa de rádio dedicado à country music. Mas à noite, a Broadway Street, ponto de ebulição das baladas locais, abriga desde música tradicional ao hard rock da década de 80.
1/7 Área de carga e descarga para músicos em rua de Nashville (Gilberto Tadday/VEJA)
2/7 Ryman Audiotorium, lar do Grand Ole Opry, o programa de rádio mais antigo dos Estados Unidos. Desde 1925, todas as semanas, o Opry traz como seus convidados grandes nomes da música country (Gilberto Tadday/VEJA)
3/7 Trio tentqa chamar a atenção para sua música ba Broadway St., em Nashville. Conseguiram. Na mesma noite, duas equipes de filmagem gravaram os rapazes tocando (Gilberto Tadday/VEJA)
4/7 É raro ver um bar ou restaurante que não tenha música ao vivo, na Broadway St., em Nashville (Gilberto Tadday/VEJA)
5/7 Sala de gravação do Studio B, da RCA. Foi neste estúdio em que Elvis gravou 56 sucessos de sua carreira, incluindo ‘It’s Now or Never’ (Gilberto Tadday/VEJA)
6/7 O Studio B foi construído em torno deste piano. O instrumento foi trazido para a sala de gravação e só então foram colocadas as portas. Elvis era tão fascinado pelo instrumento que quis comprá-lo (Gilberto Tadday/VEJA)
7/7 Não acessível aos turistas, esta é a porta que leva à sala da técnica dos estúdios da RCA (Gilberto Tadday/VEJA)
O rico cenário musical de Nashville
A capital da música country reserva boas surpresas para os turistas que gostam de boa música.
Ben Blackwell, executivo da Third Man Records, conta quais são os cinco itens que os turistas devem comprar quando forem visitar o misto de loja e gravadora do roqueiro Jack White
Sérgio Martins descobre uma capela em Nashville em que um sósia de Elvis Presley celebra os casamentos. O preço? Apenas 200 dólares e o Elvis sai de graça.
Dr. John Rumble, especialista do Country Music Hall of Fame, fala sobre o primeiro disco de Elvis que ouviu.
222 Fifth Aveneue South – Nashville, TN 37203
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Até o assassinato de Martin Luther King, em 1968, a cidade destoava do ambiente segregacionista do sul dos Estados Unidos. Havia uma integração entre instrumentistas brancos e negros que ajudaram a produzir a trilha sonora da juventude americana dos anos 50 e 60. A Sun Records gravou de Elvis Presley ao bluesman B.B. King e a Stax disputou com a Motown (de Detroit, cidade do estado americano de Michigan) a excelência no descobrimento e gravação de cantores do soul music – entre eles Otis Redding e Isaac Hayes.
1/12 Foi nesta sacada do Lorraine Motel que Martin Luther King Jr. foi assassinado, em 4 de abril de 1968. Sua morte provocou fortes conflitos raciais na cidade e mudou o cenário musical de Memphis (Gilberto Tadday/VEJA)
2/12 Atravessando a ponte sobre o rio Mississipi, chega-se ao Arkansas, estado americano cujo filho mais famoso é o ex-presidente Bill Clinton (Gilberto Tadday/VEJA)
3/12 O estúdio em que Elvis gravou seu primeiro compacto é, hoje, um misto de museu, loja, café e estúdio de gravação (Gilberto Tadday/VEJA)
4/12 Guitarra e violão usados por Elvis em exposição no Sun Studio, em Memphis (Gilberto Tadday/VEJA)
5/12 Recibo escrito à mão por Elvis Presley, em exposição no Sun Studio (Gilberto Tadday/VEJA)
6/12 A sala de gravação do Sun Studio ainda hoje é utilizada. Por menos de 10 mil dólares, pode-se gravar um CD demo (Gilberto Tadday/VEJA)
7/12 A alegre Beagle St. tornou-se uma zona perigosa, devido aos acirrados conflitos raciais que surgiram após a morte de Martin Luther King, em 1968. Hoje, está revitalizada e repleta de bares e restaurantes (Gilberto Tadday/VEJA)
8/12 Aviso proibindo porte de armas em estabelecimento na Beagle St., em Memphis (Gilberto Tadday/VEJA)
9/12 Construída em 1939, Graceland foi aberta para visitando após a morte de Elvis. O motivo? A família estava indo à falência. Hoje, a mansão em Memphis recebe milhares de pessoas por ano (Gilberto Tadday/VEJA)
10/12 A antiga sala de TV, conhecida como Jungle Room (sala da selva, em tradução livre), foi, na verdade, inspirada pelas paisagens do Havaí, pelas quais Elvis era apaixonado (Gilberto Tadday/VEJA)
11/12 Túmulos da família Presley no Meditation Garden, em Graceland (Gilberto Tadday/VEJA)
12/12 Na semana em que se completam 35 anos da morte de Elvis Presley, o cantor receberá mais de dez discos de diamante, ouro, platina e multi-platina (Gilberto Tadday/VEJA)
Tour na Stax Records
Sérgio Martins faz um passeio pela antiga gravadora Stax, que hoje abriga uma escola e o museu da soul music americana, em Memphis.
Stax Records – Museum of American Soul Music – 926 E. McLemore Ave. – Memphis, TN 38106
The Four Way Restaurant – 998 Mississippi Boulevard, Memphis, TN 38126 – (1-901) 507-1519
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As influências de Elvis na guitarra
Matt Ross-Spang, engenheiro de áudio do Sun Studio, dá uma aula de guitarra sobre os ritmos e artistas que influenciaram Elvis.
Ela foi moradia de muitos generais que lutaram pelo sul na Guerra Civil americana. Mas está ficando famosa por abrigar Graceland Too, santuário de cacarecos de propriedade de Paul McLeod, fã número 1 de Elvis Presley. A primeira visão que se tem dali é assustadora – parece a casa da família Adams.
Uma visita a Graceland Too
Conheça Paul McLeod, o maior colecionador do mundo de cacarecos do Elvis, que mais parece ter saído de um filme de terror.
Não há muito o que se fazer ali a não ser visitar a casa onde Elvis Presley nasceu e a igreja na qual ele aprendeu os primeiros cânticos religiosos. Mas seus habitantes têm orgulho de serem conterrâneos do rei do rock. Uma das guias, inclusive, fala que Elvis esteve ali poucos dias antes de morrer. A lojinha de souvenires vende uma intragável bala com os ingredientes prediletos do cantor: banana e pasta de milho.
1/4 Quando Elvis Presley ficou famoso, ele comprou a antiga casa de Tupelo para preservar a memória da família (Gilberto Tadday/VEJA)
2/4 Cozinha da casa em que Elvis Presley nasceu, em Tupelo (Gilberto Tadday/VEJA)
3/4 Quarto da casa em que Elvis nasceu, em Tupelo (Gilberto Tadday/VEJA)
4/4 A igreja que a família Presley frequentava, em Tupelo, foi para perto da casa de Elvis em cima de um caminhão (Gilberto Tadday/VEJA)
A casa em que Elvis nasceu
Sérgio Martins visita a pequena casa de Tupelo, em que Elvis e sua família viveram até se mudarem para Memphis.
É o ponto de partida da rota do blues. A cidade é famosa por abrigar a encruzilhada onde Robert Johnson teria vendido sua alma ao diabo. Colada à Clarksdale está outra localidade que faz parte da história do blues – Indianola, cidade natal do cantor e guitarrista B.B. King.
A encruzilhada mais famosa do blues
Sérgio Martins fala sobre a encruzilhada formada pelas Highways 49 e 61, local em que o bluesman Robert Johnson teria feito um pacto com o diabo.
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Nova Orleans é o berço do jazz e da música gospel. Sete anos depois do Katrina, furacão que destruiu as barragens do rio Mississipi e inundou 80% da cidade, ela ainda é obrigatória para quem deseja conhecer a alma da música dos Estados Unidos. As ruas do Quartier Latin abrigam shows estrelados por artistas do primeiro escalão e ilustres desconhecidos.
1/4 Em Nova Orleans, há sempre alguém fazendo música (Gilberto Tadday/VEJA)
2/4 Típicas de Nova Orleans, as second line são uma espécie de parada com trombone, tuba e percussão, seguidas por pessoas dançando. E quanto mais esquisitos os seus passos, melhor (Gilberto Tadday/VEJA)
3/4 Banda de metais se apresenta numa manhã quente no Quartier Latin, bairro de Nova Orleans (Gilberto Tadday/VEJA)
4/4 Cadillac pink, réplica de um dos automóveis de Elvis, faz sucesso nas ruas de Nova Orleans. A dona, cujo sobrenome realmente é Presly, recebeu o carro de herança do pai (Gilberto Tadday/VEJA)
Qual sua música favorita de Elvis Presley?
O trompetista Troy Andrews, conhecido como Trombone Shorty, fala qual é sua canção favorita de Elvis Presley.
New Orleans Jazz and Heritage Festival
Todos os anos, os shows beneficentes do NOFest, de Nova Orleans, atraem milhares de turistas americanos e estrangeiros. Acompanhe como foi a edição de 2012.
Uma caminhada pelo bairro do Quartier Latin, em Nova Orleans, pode reservar inúmeras surpresas, como a sacada em que Elvis protagonizou a cena inicial de ‘Balada Sangrenta’.
Localizada na estrada que vai de Nova Orleans para Shreveport, a cidade faz parte da história americana. Fundada no século XVI, ela possui inúmeros prédios históricos e um armazém de navios a vapor. Washington também foi o maior porto de rio entre Nova Orleans e St. Louis. Ela possui ainda uma população de carvalhos, alguns com mais de 150 anos de idade.
O pântano de ciprestes de Washington, Louisiana
Sérgio Martins faz um passeio pela mansão sulista Magnolia Ridge e fala sobre zydeco, ritmo típico da região.
Na ficção, ela seria a cidade dos lobisomens e da Fangtasia, casa noturna do seriado True Blood, da HBO. Na vida real, é um amontoado de cassinos e fuzileiros navais. Shreveport também abrigou o Louisiana Hayride, programa que revelou Elvis Presley. Seu prédio, com arqitetura art-déco, é uma visita obrigatória.
1/4 Cartaz no antigo camarim ocupado por Elvis Presley, no Municipal Auditorium de Shreveport (Gilberto Tadday/VEJA)
2/4 Bob Sullivan, ex-engenheiro de áudio do programa ‘Louisiana Hayride’, posa para foto dentro do Municipal Auditorium de Shreveport (Gilberto Tadday/VEJA)
3/4 Placa de rua na cidade de Shreveport, no estado de Louisiana (Gilberto Tadday/VEJA)
4/4 Margareth Lewis Warwick, responsável pela preservação do Municipal Auditorium, posa para foto no camarim que foi ocupado por Elvis Presley, quando ele se apresentava no programa ‘Louisiana Hayride’ (Gilberto Tadday/VEJA)
Shreveport, lar do Louisiana Hayride
Sérgio Martins conversa com duas importantes pessoas do Lousiana Hayride, programa de rádio que levou Elvis Presley ao sucesso.
Sérgio explica quem é James Burton e conversa com o guitarrista, que tocou com Frank Sinatra, Elvis Presley e Elvis Costello e é membro do Rock n Roll Hall of Fame.
Elvis é onipresente nas cidades que Sérgio Martins visitou. Aqui, você descobre como ele consegue estar em tantos lugares ao mesmo tempo.
Elvis, as lâmpadas coloridas e o tropeço no microfone
Certa noite, no Estúdio B, Elvis Presley pediu que as luzes fossem apagadas enquanto ele cantava ‘Are You Lonesome Tonight’. Ele ficou tão envolvido que, na hora de ir embora, tropeçou no microfone – o “clang” dessa topada pode ser conferido ao final da canção.
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Fotos e imagens panorâmicas: Gilberto Tadday | Infográfico: Luciana Martins e Tiago Maricate | Vídeos: Sérgio Martins (reportagem e apresentação), Gilberto Tadday (imagens), Raquel Hoshino (imagens e direção), Marcelo Rodrigues, Rafael Bispo, Thiago Patah (edição de imagens) | Supervisão geral: Raquel Hoshino
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