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Leonardo Paixão, do Glouton, é o chef do ano de Belo Horizonte

O ex-médico que virou cozinheiro na França faz uma culinária mineira sem precedentes — porém de sabores muito autênticos

Sua trajetória até se firmar como cozinheiro é tão saborosa que já ganhou ares de lenda. Formado em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, Leonardo Paixão teria se desencantado da profissão um ano depois de receber o diploma e jogado tudo para o alto a fim de virar chef na França. A verdade é que ele pensava em abraçar a gastronomia desde a faculdade, época em que atuava como cozinheiro em eventos (a intimidade com as panelas vem da infância, por influência da família). E se ele passou um ano dando plantões em hospitais depois de formado foi só para conseguir arcar com as mensalidades da prestigiosa École Supérieure de Cuisine Française.

Acompanhado da mulher, a pediatra Taís Paixão, esse mineiro de Belo Horizonte morou quase dois anos em Paris. Ao voltar, trouxe na bagagem a experiência de ter estagiado ao lado de três dos maiores chefs da França: Joël Robuchon, Pierre Gagnaire e Nicolas Magie. Na sequência, trabalhou dois anos no Taste-Vin, do qual saiu para abrir o Glouton. Com um cardápio recheado de clássicos franceses, a casa caiu nas graças do público depois de ter sido eleita pelo júri de VEJA COMER & BEBER a revelação gastronômica de 2013. “No ano seguinte me dei conta de que eu não estava cozinhando só de olho na culinária francesa, mas também na de Minas”, lembra o chef, hoje com 36 anos. Com esse estalo, ele deixou de lado o confit de canard, por exemplo, para apostar em receitas como a papada de porco com mil-folhas de mandioca e pastel de batata-doce. Resultado: em 2014, o seu restaurante sagrou-se o melhor endereço de cozinha contemporânea, e Paixão, o chef do ano. Esta edição dá a ele novos motivos para comemorar a decisão de ter abandonado a medicina. Leia mais sobre o Glouton aqui.