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Com nova acusação, Harvey Weinstein pode pegar prisão perpétua

Na segunda-feira, promotores anunciaram que um grande júri de Nova York havia retomado uma denúncia adicional de ato sexual criminoso em primeiro grau

Por agência France-Presse - 3 jul 2018, 11h29

As novas denúncias contra Harvey Weinstein elevam para seis o número total de acusações contra o ex-produtor e o tornam candidato a uma pena mínima de dez anos e máxima de prisão perpétua, segundo o procurador distrital de Manhattan, Cyrus Vance. Embora dezenas de mulheres tenham acusado Weinstein de assédio, algumas dessas acusações já teriam prescrito, e, até o momento, apenas três processos foram formalizados contra ele na justiça. São três ações por estupro e agressão sexual, de três mulheres diferentes.

A carreira de Weinstein, de 66 anos, implodiu em outubro passado, após uma série de acusações de má conduta sexual e abuso, que desencadeou um grande debate sobre assédio no local de trabalho e o movimento global #MeToo. O ex-produtor, que atualmente está em liberdade sob fiança de 1 milhão de dólares, se declarou inocente em junho da acusação de estupro de uma mulher em um hotel de Manhattan em 2013 e de forçar outra a fazer sexo oral nele em 2004.

Na segunda-feira, promotores anunciaram que um grande júri de Nova York havia retomado uma denúncia adicional de ato sexual criminoso em primeiro grau, e duas denúncias de agressão sexual predatória contra Weinstein por supostamente forçar uma terceira mulher a fazer sexo oral nele, em 10 de julho de 2006.

O procurador distrital de Manhattan, Cyrus Vance, disse que Weinstein foi denunciado “por algumas das ofensas sexuais mais sérias” sob a lei penal de Nova York. “Essa acusação é o resultado da coragem extraordinária exibida pelas sobreviventes”, acrescentou, pedindo que outras mulheres que possam ter sofrido “abuso predatório” nas mãos de Weinstein também se manifestem.

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Weinstein negou veementemente todas as acusações de sexo não consensual. “Weinstein assegura que todas essas acusações são falsas e espera que a justiça lhe dê razão”, disse seu advogado Ben Brafman em um comunicado. Acrescentou que seu cliente se declarará inocente durante a audiência na qual será acusado formalmente, no próximo 9 de julho.

Quase 100 acusadoras

O ex-produtor, cujos filmes ganharam dezenas de Oscar, foi acusado de estupro e outro crime sexual em maio, quase oito meses após o surgimento das primeiras denúncias contra ele. Nenhuma das três mulheres foi identificada, mas, de acordo com Brafman, a queixa de estupro de 2013 veio de uma mulher que teve um caso de 10 anos com Weinstein. Acredita-se que a ex-atriz Lucia Evans, que disse à revista The New Yorker que Weinstein a forçou a fazer sexo oral nele, é a mulher envolvida no caso de 2004.

No total, quase 100 mulheres afirmaram publicamente que foram assediadas ou abusadas sexualmente por Weinstein, em um período de mais de duas décadas. Salma Hayek, Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie estão entre as mais de duas dezenas de atrizes que dizem ter sido sexualmente assediadas pelo produtor. Várias delas, incluindo Asia Argento e Rose McGowan, dizem que foram estupradas.

O movimento #MeToo levou pessoas de todo o mundo a denunciarem casos de maus-tratos sexuais, provocando a queda de homens poderosos em vários setores, incluindo o ator vencedor do Oscar Kevin Spacey.

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Weinstein supostamente passou meses em tratamento para o vício em sexo e foi deixado por sua esposa, a estilista Georgina Chapman. Ele permanece sob fiança, forçado a usar um dispositivo de monitoramento GPS, e teve suas viagens restritas aos estados de Nova York e Connecticut. Além disso, enfrenta uma série de processos civis, e seu antigo estúdio entrou com pedido de falência.

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