Temas surpreendentes e questões difíceis marcam o segundo dia de Enem
Professores da rede AZ analisam as provas de matemática, física, química e biologia, aplicadas neste domingo
Após meses de polêmicas e incertezas – incluindo a falência da gráfica responsável pela impressão do exame – o primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do governo de Jair Bolsonaro terminou neste domingo, 10. Nesta segunda etapa, os estudantes testaram seus conhecimentos de matemática, física, química e biologia. Professores da Rede AZ ouvidos por VEJA fizeram a correção da prova (confira o gabarito extraoficial) e afirmaram que, ao contrário da prova de humanidades, esta trouxe alguns temas inéditos e várias questões de nível elevado.
A segunda lei de Mendel, por exemplo, foi um dos assuntos que apareceu pela primeira vez na prova de biologia. “É um tema que os alunos não costumam estudar muito na véspera do Enem”, diz o professor Rodrigo Reis. Para o especialista, a questão sobre dinâmica de populações envolvendo gráficas e tabelas foi uma das mais complicadas. Chamou a atenção também a exigência de conhecimentos sobre respiração celular e desacopladores de cadeia – algo também inédito no exame. Por outro lado, temas como imunização, doenças sexualmente transmissíveis e relações ecológicas – que são carta marcada na prova – também estiveram presentes.
No teste de química, a abordagem de modelos atômicos surpreendeu os professores. “Foi uma prova de nível médio a alto”, comentou o professor Felipe Araújo – segundo ele, enunciados sobre os postulados de Bohr (dentro da área da atomística) são inéditos no Enem. Ele ressaltou a que considera ter sido a questão mais difícil da prova: uma pergunta sobre soluções que exigia do aluno conhecimentos sobre montagem de reação e nomenclatura de compostos inorgânicos. Questões sobre eletroquímica e transformações da água, entretanto, foram comuns em edições anteriores e apareceram novamente.
A prova de física, por sua vez, não surpreendeu o professor Vinícius Pessanha, que avaliou o exame como “dentro do esperado”. Os enunciados, segundo ele, foram pouco analíticos, e exigiam que o aluno dominasse cálculos e conceitos. “O fator surpresa ficou por conta da ausência de perguntas de ondulatória, um tema recorrente. Assuntos como circuito, calorimetria e mecânica reapareceram como em anos anteriores”, analisou.
Quem estudou com base nas provas anteriores também não levou susto na prova de matemática – salvo pela dificuldade de algumas questões. Segundo o professor Felipe Rossi, alguns temas abordados com frequência apareceram este ano em nível mais elevado. “O destaque vai para uma questão sobre análise combinatória, que é um assunto muito comum, mas nunca foi pedido com este grau de exigência”, explica. Havia também questões sobre trigonometria bastante difíceis. De resto, nada fora do comum: funções, matrizes e logaritmos estavam no cardápio. “Tivemos uma prova com textos mais curtos, o que ajuda os alunos em relação ao tempo de resolução das questões”, completou o professor.
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