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Dilma faz conta certa ao visitar Olimpíada de Matemática

Evento desperta estudantes brasileiros para uma área em que, em geral, eles obtêm resultados decepcionantes

Por Nathalia Goulart
21 jun 2011, 18h17

A presidente Dilma Rousseff participou nesta terça-feira, no Rio, da entrega de medalhas a 504 estudantes de todo o país que conquistaram as melhores posições na VI Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas de 2010. A visita não é desnecessária ou irrelevante, como muitos dos compromissos que lotam as agendas de chefes do Executivo. Ao contrário. Trata-se do reconhecimento de que a política educacional merece atenção especial da presidente – e, nesta área, os números merecem mais atenção ainda.

A Olimpíada, organizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), completa sete anos de existência. Em 2005, em sua estreia, contou com a participação de 10,5 milhões de estudante de 31.000 escolas. Em 2010, foram 19,6 milhões de crianças de 44.700 escolas – uma evolução de 86%. Atualmente, 99,1% dos municípios estão inscritos na disputa. As provas são dirigidas a alunos que cursam do quinto ao oitavo ano do ensino fundamental e a aqueles que frequentam as três séries do ensino médio das redes municipal e estadual.

Despertar o interesse dessas crianças pela matemática, pelo raciocínio lógico e pela abstração, portanto, é crucial para o avanço educacional de que o país precisa. Dados do Pisa, avaliação internacional organizada pela OCDE (instituição que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo) mostram que os alunos brasileiros atingiram 386 pontos em matemática. É pouco, muito pouco: a média sugerida pela organização é 496 pontos. A China, líder do Pisa, atingiu 600 pontos nesta disciplina.

Outro levantamento, desta vez realizado pelo movimento independente Todos Pela Educação, evidencia o déficit matemático dos escolares brasileiros. Ao fim do quarto ano do ensino fundamental, apenas 32,6% dos alunos dominam o conhecimento que deveriam possuir em matemática. Ao fim do nono ano, esse número cai para 14,8%. No fim do ciclo do ensino médio, encontra-se o pior resultado: somente 11% sabem o que deveriam quando o assunto são números.

O problema, acreditam os especialistas, está nos primeiros anos da vida escolar. “A matemática tem peculiaridades. Ela é sequencial: quem não aprende a somar, não aprende a multiplicar. Quem não aprende a multiplicar, não aprende a dividir. Se em algum momento a criança não foi bem nesse processo, ela está condenada a não ir bem nas outras etapas”, disse ao site de VEJA Suely Druck, diretora das Olimpíadas de Matemática e professora do curso de matemática da Universidade Federal Fluminense (UFF).

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Some-se a isso outro problema – a má formação de muitos docentes brasileiros – e tem-se uma combinação explosiva. Atualmente, nos anos inicias do ensino fundamental (primeiro a quarto), as aulas são ministradas por professores que cursam pedagogia, carreira cuja qualidade dos cursos, em geral, é ruim. O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) mostra que 20% do total dos cursos de pedagogia apresentaram desempenho insuficiente, obtendo nota 1 ou 2. Somente 2,7% dos cursos obtiveram desempenho máximo (nota 5).

Nos anos finais do ensino fundamental (quinto a nono), onde a licenciatura é obrigatória, 49,7% dos professores de matemática dão aula sem formação superior adequada ao ensino da disciplina. No ensino médio, esse número cai para 44,4%, mas segue sendo alarmante. Diante dos dados, é fácil concluir: as contas não fecham no ensino nacional de matemática.

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