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Desenvolver a “Mentalidade Construtiva” é a chave para uma boa educação

Conclusão faz parte do estudo "O céu é o limite", conduzido pela OCDE com base em avaliação internacional de desempenho

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2021, 15h50 | Atualizado em 17 abr 2021, 16h37
Desenvolver a “Mentalidade Construtiva” é a chave para uma boa educação Priorizar nos meus resultados Google

Desenvolver uma mentalidade construtiva entre os alunos deve ser a principal busca de educadores ao redor do mundo. O desafio é mais importante do que simplesmente martelar conteúdos na sala de aula. As conclusões fazem parte do estudo “O céu é o limite”, conduzido pela área de educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, com base nos dados do PISA, o programa internacional de avaliação de alunos, aplicado pela entidade em 78 países, a cada dois anos.

A mentalidade construtiva é um conceito desenvolvido em 2006 pela psicóloga Carol Dweck. Ela prega que algumas pessoas acreditam que o potencial de suas mentes é ilimitado e pode ser desenvolvido ao longo do tempo. Essa visão se opõe à ideia da mentalidade fixa, segundo a qual os indivíduos herdam suas características intelectuais e são mais propensos a executar determinadas tarefas do que outras.

Alunos com código mental construtivo são caracterizadas por uma paixão maior pela aprendizagem e têm menos ansiedade quanto à possibilidade de fracasso. Isso os leva a persistir nos desafios, sem poupar esforços para alcançar seus potenciais máximos. Já os estudantes com mentalidade fixa tendem a focar a atenção apenas na progressão dos estudos e na aprovação dos testes, o que os limita a uma “zona de conforto”.

Maior resiliência e capacidade de desenvolver estratégias de aprendizagem diferentes para alcançar resultados complexos também são características observadas entre os portadores de mentalidade construtiva. Por essas razões, eles apresentam  melhores resultados em leitura, matemática e ciência na avaliação do PISA. O Brasil é um dos países em que essa defasagem se tornou mais evidente, com quase 80 pontos de diferença entre estudantes de diferentes perfis no quesito leitura.

Para aferir se os alunos se viam como portadores de um potencial mental construtivo, a OCDE aplicou um questionário com a seguinte frase: “sua inteligência é algo que você não conseguirá mudar muito”. Os participates do teste tinham de discordar ou concordar com a afirmação. Mais de 50% deles, em 53 países, entre eles o Brasil, discordaram da frase, o que mostra que a concepção de inteligência para essas pessoas é algo que pode ser potencializado pela escola. A resposta os colocava entre os portadores de mentalidade construtiva. Essa percepção é mais presente entre meninas e também entre alunos pertencentes a famílias com maior poder aquisitivo.

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O relatório destaca que os professores têm papel fundamental no desenvolvimento de uma mentalidade construtiva, reforçando os laços dos alunos com a escola e propondo maneiras de assimilação do conhecimento que não sejam a mera apresentação de conteúdos. No entanto, ressalva que é preciso não cair na tentação de achar que esse tipo de habilidade está apenas ligada à persistência e à aplicação dos alunos nos estudos. Para a OCDE, essa visão equivocada pode desencadear o efeito contrário ao desejado.

 

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